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Colômbia expulsa militar venezuelano suspeito de espionagem

Carlos Eduardo Ramirez

Fez-se passar por desertor do regime de Nicolás Maduro.

As autoridades colombianas anunciaram na quinta-feira a expulsão de um militar venezuelano, acusado de se fazer passar por desertor do regime de Nicolás Maduro e suspeito de se ter deslocado à Colômbia para espiar o exército.

Gerardo Rojas Castillo foi detido na quarta-feira na estrada para Valledupar, no departamento norte de César, que faz fronteira com a Venezuela, disse o general Gerardo Melo Barrera, comandante da primeira divisão do exército colombiano, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

O suspeito foi deportado para a Venezuela na noite de quinta-feira, informaram os serviços de imigração colombianos.

O homem, que admitiu ser membro da Força Nacional Bolivariana, foi detido na posse de documentos que o acreditavam como sargento ativo no corpo militar venezuelano, de acordo com a mesma fonte.

"Esta pessoa foi colocada à disposição das autoridades competentes, que tomarão as medidas migratórias e administrativas resultantes das suas atividades, que puseram em perigo a segurança nacional", acrescentou o general Melo Barrera num vídeo divulgado à imprensa.

Os serviços secretos colombianos vigiavam o cidadão venezuelano há mais de um ano, afirmou.

O venezuelano tinha entrado na Colômbia em fevereiro de 2019, tal como mais de mil militares e agentes da polícias que abandonaram o regime chavista, disse fonte governamental à AFP.

O homem é suspeito de ter espiado uma base militar em Valledupar, fazendo-se passar por um vendedor ambulante de sumos de fruta, sentado do outro lado da rua. Mais tarde, terá observado as "movimentações externas" da base enquanto segurança de uma empresa privada, acrescentou o general Melo Barrera. As autoridades apuraram ainda que Gerardo Rojas Castillo regressou pelo menos uma vez à Venezuela, apesar de Nicolás Maduro - cuja reeleição a Colômbia não reconhece - ter anunciado que seria implacável com os desertores, de acordo com fonte anónima citada pela AFP.

Caracas e Bogotá romperam as relações diplomáticas, desde que o chefe de Estado colombiano, Iván Duque, declarou o seu apoio aos Estados Unidos, que querem expulsar Maduro do poder. Nicolás Maduro, que sucedeu ao socialista Hugo Chávez, acusa a Colômbia de apoiar as tentativas de o derrubar, o que Bogotá refuta.

A crise política, económica e social na Venezuela agravou-se desde janeiro de 2019, quando Juan Guaidó se autoproclamou presidente interino do país, para afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um governo de transição e eleições livres. Guaidó conta com o apoio de quase 60 países.