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Irlanda vai extraditar suspeito de tráfico humano para o Reino Unido

VICKIE FLORES

Está envolvido no caso dos 39 migrantes mortos em camião em Essex.

A justiça irlandesa aprovou hoje a extradição para o Reino Unido de um homem suspeito de ter organizado um grupo de camionistas envolvidos em tráfico humano, que levou à morte de 39 vietnamitas encontrados num camião em Essex no ano passado.

O tribunal penal de Dublin ordenou a entrega de Ronan Hughes, de 40 anos, à justiça britânica, anunciou o juiz Paul Burns.

O suspeito está detido sob um mandado de captura europeu pelas 39 acusações de homicídio involuntário e ajuda à imigração ilegal e é “suspeito de ter organizado e controlado os motoristas”, segundo disse o promotor Ronan Kennedy, numa audiência anterior.

A 23 de outubro de 2019, os corpos de 31 homens e oito mulheres, incluindo dois adolescentes de 15 anos, foram descobertos a bordo de um contentor na zona industrial de Grays, a este de Londres, proveniente do porto belga de Zeebrugge.

O suspeito permaneceu em silêncio enquanto a decisão foi anunciada e os advogados opuseram-se ao pedido de extradição, citando ambiguidades sobre os locais onde os factos ocorreram e sobre a jurisdição dos tribunais britânicos.

O magistrado recusou-as, explicando que os factos “transcendem fronteiras”, citando igualmente os elementos que atestam que as vítimas morreram depois de o contentor ter entrado em águas britânicas.

O suspeito deve ser transferido dentro de dez dias, a partir de segunda-feira.

Enquanto isso, um tribunal de segunda instância irlandês recusou o recurso de outro suspeito, Eamon Harrison, acusado de fornecer o contentor em que as vítimas foram encontradas, que contestava hoje a sua extradição para o Reino Unido.

No total, cinco pessoas foram indiciadas na investigação britânica sobre o caso, incluindo o motorista do veículo, Maurice Robinson, de 25 anos, que se declarou culpado de homicídio involuntário num tribunal de Londres, no início de abril.

Treze suspeitos foram acusados em França e outros 13 na Bélgica.

O caso destacou os perigos da imigração clandestina com traficantes sem escrúpulos que tiram proveito das vulnerabilidades dos candidatos, que acabam frequentemente em salões de manicure ou plantações ilegais de canábis no Reino Unido, reduzidos a um estado de semiescravidão.

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