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Partido ecologista em destaque nas autárquicas em França

Anne Hidalgo, presidente da Câmara de Paris, na reação à vitória.

Christian Hartmann

Abstenção registou valores superiores a 60% nas eleições.

A segunda volta das eleições municipais em França, realizada no domingo, ficou marcada por uma presença expressiva da esquerda ecologista e por uma elevada abstenção do eleitorado, ainda em tempo de pandemia Covid-19.

A abstenção registou um "nível histórico", como escreveu a agência France Press, com mais de 60% dos eleitores a faltarem na chamada às urnas, o que levou o presidente francês Emmanuel Macron a manifestar-se "preocupado com a baixa taxa de participação".

Dos resultados apurados, Os Verdes impuseram-se na votação como a principal força política de esquerda em França, "sinal de um reposicionamento político que está a acontecer em vários países da Europa, onde os partidos ecologistas, à boleia das questões climáticas, têm tido mais votos", refere a AFP.

Um dos exemplos aconteceu em Paris, onde a presidente da câmara, Anne Hidalgo, foi reeleita com mais de 50% dos votos na segunda volta, depois de se ter aliado aos Verdes.

E é apontada a vitória dos ecologistas em Lyon e em Marselha.

A primeira volta das eleições municipais aconteceu a 15 de março e a segunda volta teve de ser adiada devido à pandemia de Covid-19 e pelos meses de confinamento imposto no país, com a escolha dos eleitos locais de mais de 5.000 cidades.

O Republique en Marche, o partido que elegeu o Presidente Macron em 2017, deverá manter o poder em Toulouse, enquanto a extrema-direita elegeu Louis Aliot, ex-companheiro de Marine le Pen em Perpignan.

O primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, ganhou a segunda volta em Havre, com quase 60% da preferência dos votos, num teste de popularidade que pode não chegar para se manter no Governo.

Sem dar pistas sobre o seu futuro político em noite de vitória, o primeiro-ministro já tinha indicado que ir às urnas nas municipais era importante, mesmo estando à frente do Governo.

Na segunda volta estavam aptos a votar cerca de 16,5 milhões de eleitores, ou seja, cerca de 39% dos inscritos nos cadernos eleitorais no país, para decidirem sobre os novos executivos municipais em Paris, Marselha, Lyon e Bordéus, entre outras grandes cidades francesas.