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Conselho da Europa pede integração da história dos ciganos nos currículos escolares

Stoyan Nenov

Recomendação pede, pela primeira vez, aos Estados-membros "que incluam a história dos ciganos e/ou povos nómadas nos programas escolares e materiais pedagógicos".

O Conselho da Europa, que salvaguarda os direitos humanos no continente, pediu hoje, "pela primeira vez", aos seus Estados-membros que integrem melhor a história dos ciganos e povos nómadas nos currículos escolares.

Adotada pelo Comité de Ministros, órgão que reúne os ministros dos Negócios Estrangeiros da organização pan-europeia, a "recomendação pede, pela primeira vez", aos Estados-membros "que incluam a história dos ciganos e/ou povos nómadas nos programas escolares e materiais pedagógicos", afirmou, em comunicado, o Conselho da Europa, apelando à luta contra "a discriminação de ciganos que persiste" na Europa.

Esta recomendação "visa reforçar o entendimento de que" os ciganos e os nómadas "são parte integrante da sociedade, nacional e europeia" e destaca "a importância de ensinar o Holocausto cometido pelo regime nazi e seus aliados, bem como outros atos cometidos contra (os nómadas) na Europa".

Portugal é dos países que menos segrega as crianças ciganas nas escolas

Apesar de ser um dos países que menos segrega as crianças ciganas nas escolas, é também em Portugal que os ciganos vivem em piores condições.

A conclusão é de um relatório da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia.

O mesmo documento revela que o respeito pelos direitos dos refugiados é um dos principais desafios da União Europeia, que enfrenta acusações de expulsões sumárias, violência, indiferença em relação aos náufragos e falta de proteção às crianças.

Regime nazi também causou a morte de cerca de 500.000 ciganos

O texto do COnselho Europeu pede ainda aos países que integrem "atividades de homenagem" ligadas ao Dia Europeu em Memória das Vítimas Ciganas do Holocausto, agendado para 2 de agosto, ou numa "data mais adequada ao contexto histórico do país em questão", como por exemplo nos dias que assinalam localmente "a prisão ou deportação de ciganos para campos de concentração".

O Comité de Ministros também considerou importante incluir "factos positivos da história" dos ciganos e nómadas, como a sua "contribuição para o património cultural local, nacional e europeu" ou o seu "papel nos movimentos de resistência antinazis e antifascistas".

Além de exterminar seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, o regime nazi também causou a morte de cerca de 500.000 membros das comunidades étnicas Rom e Sintos, povos nómadas geralmente conhecidos como ciganos.

O dia 2 de agosto foi proclamado o dia para lembrar o holocausto destas etnias.

Entre março de 1943 e julho de 1944, foram deportados para Auschwitz-Birkenau 23 mil ciganos de toda a Europa. Quase todos morreram lá.