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Militares colombianos investigados por alegado abuso sexual de menores

Crianças brincam em Bogotá, na Colômbia

LUISA GONZALEZ

Dos 118 envolvidos, 45 foram afastados do Exército e 73 são alvo de procedimentos dentro do Exército.

Mais de cem militares colombianos estão sob investigação por alegado abuso sexual de menores, admitiu hoje o chefe do exército, após o escândalo da violação coletiva, por soldados, de duas raparigas adolescentes indígenas.

"Com pesar, quero informar todos os colombianos (...) que, até à data, de acordo com uma verificação detalhada que temos efetuado desde 2016, temos 118 membros envolvidos em alegados casos de abuso sexual e violência contra menores", disse o comandante-geral do Exército, Eduardo Zapateiro, numa conferência de imprensa virtual.

Segundo o oficial, o Ministério Público e o Exército estão a investigar todos os casos para determinar as ações penais, disciplinares e administrativas a tomar.

"Dos 118 envolvidos, 45 foram afastados do Exército" e 73 são alvo de procedimentos dentro da instituição militar, precisou.

Zapateiro proferiu as declarações num ambiente de pressão devido ao escândalo da violação de raparigas indígenas por soldados, o que originou fortes manifestações de protesto na Colômbia.

Em 25 de junho, as autoridades indígenas tinham denunciado o rapto e violação de uma rapariga de 13 anos por soldados que patrulhavam o território da comunidade Embera Chami, no oeste do país.Sete soldados admitiram a sua culpa pela violação da menor e estão detidos num quartel, sob vigilância das forças de segurança.

O general Zapateiro disse que também demitiu os três responsáveis pelo pelotão. Quatro dias mais tarde, foi noticiada outra violação, perpetrada por um grupo de soldados contra uma adolescente de 15 anos da etnia Nukak Maku, em setembro de 2019.

O chefe do Exército lamentou os abusos e disse que se tratava de "condutas individuais" e não "sistemáticas" entre os 240 mil membros deste ramo das Forças Armadas.

O Governo do Presidente Iván Duque também repudiou estes crimes, denunciados uma semana após o parlamento ter aprovado uma reforma constitucional que permitirá a condenação a prisão perpétua dos violadores e assassinos de crianças e adolescentes menores de 14 anos.

Segundo peritos jurídicos, esta condenação não pode ser aplicada retroativamente a estes militares, uma vez que a lei ainda não foi promulgada.

Mais de 22.000 menores de 18 anos foram vítimas de crimes sexuais e 708 morreram no ano passado na Colômbia, de acordo com estatísticas das autoridades forenses.

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