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Vaticano mostra preocupação com plano de anexação da Cisjordânia por Israel

Paul Hanna

"O Vaticano reitera que o Estado de Israel e o Estado da Palestina têm o direito de existir e viver em paz e segurança, dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas".

O Vaticano manifestou "preocupação" com "possíveis ações unilaterais que poderiam comprometer ainda mais a tão esperada paz entre israelitas e palestinianos", referindo-se ao plano de anexação de partes de Cisjordânia por Israel.

O secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, fez estas declarações numa reunião com os embaixadores dos Estados Unidos e de Israel, informou o Vaticano num comunicado publicado na noite de quarta-feira.

"O Vaticano reitera que o Estado de Israel e o Estado da Palestina têm o direito de existir e viver em paz e segurança, dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas", acrescentou a nota.

Posição do Vaticano já tinha sido exposta em duas declarações

O Vaticano apelou "às partes para tentarem reabrir o caminho da negociação direta, com base nas resoluções pertinentes das Nações Unidas" e defendeu medidas que sirvam para "restaurar a confiança mútua e ter a coragem de dizer sim ao encontro e não ao confronto".

É preciso ainda dizer "sim" ao restabelecimento do diálogo, dizer "não" à violência, às hostilidades, à duplicidade, reafirmando o respeito aos acordo e à sinceridade.

Israel havia anunciado que, na quarta-feira, teria início a anexação de partes da Cisjordânia, mas o dia decorreu sem avanços neste sentido.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, não fez qualquer alusão ou esclarecimento sobre os detalhes do plano que continua a debater com os Estados Unidos.

Israel ocupou a Cisjordânia em 1967

A comunidade internacional considera ilegais os colonatos construídos no território por Israel.

Agora, Israel pretende fazer a anexação de partes da Cisjordânia com base num plano elaborado pelos Estados Unidos, sob a liderança do Governo do Presidente Donald Trump, que os palestinianos rejeitam completamente e que já foi condenado por grande parte da comunidade internacional.

"Não nos vamos sentar numa mesa de negociação em que a anexação ou o plano Trump é proposto, porque não é um plano de paz, mas um projeto para legitimar a ocupação", disse recentemente à AFP o negociador palestiniano Saëb Erakat.