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Governo francês apresentou demissão, Presidente já aceitou

Macron e Edouard Philippe a 2 de julho de 2020, véspera da demissão do Governo

IAN LANGSDON / POOL

Macron anuncia novo primeiro-ministro de França ainda hoje.

O primeiro-ministro francês français Edouard Philippe apresentou esta manhã a demissão do seu Governo ao Presidente Emmanuel Macron, que já aceitou, anunciou o Palácio do Eliseu.

"O novo primeiro-ministro será nomeado nas próximas horas", prossegue o comunicado da Presidência francesa.

O Governo demissionário vai assegurar a gestão corrente até à nomeação de um novo Executivo, que deverá tomar posse até ao final da próxima semana.

Edouard Philippe estava na chefia do Governo desde a eleição de Macron, em 2017, e não deverá ser reconduzido.

Alguns nomes para a chefia do novo Governo são avançados pela comunicação social francesa, como Jean-Yves Le Drian, atual ministro dos Negócios Estrangeiros, ou Florence Parly, atual ministra da Defesa.

Mudança desejada por Macron

Esta era uma mudança desejada por Macron que prometeu uma nova equipa para seguir "um novo caminho" político na última fase do seu mandato até às Presidenciais de 2022.

"Tenho de fazer escolhas para seguir um novo caminho. São novos objetivos de independência, reconstrução, reconciliação e novos métodos a colocar em marcha". Para os prosseguir "haverá uma nova equipa", afirmou o Presidente numa entrevista a jornais regionais publicada esta sexta-feira.

"Há três anos ao meu lado, [Edouard Philippe] fez um trabalho notável e conduzimos reformas importantes, históricas, em circunstâncias muitas vezes muito difíceis", acrescentou Macron.

Esta alteração de Governo era esperada após a segunda volta das eleições autárquicas de 28 de junho, marcada por uma elevada abstenção, um revés para o partido do Presidente e uma subida do partido ecologista nos centros urbanos.

Três anos ao lado de Macron

Edouard Philippe era um primeiro-ministro mais popular que o Presidente Macron, segundo as sondagens.

Chegou ao poder em 2017 vindo da direita e nunca se filiou no Partido La République en marche (República em Marcha) do Presidente.

Os dois conduziram juntos várias reformas controversas, como da segurança no desemprego, e fizeram frente a várias crises, como os coletes amarelos e a crise sanitária da Covid-19.

Primeira reunião do Governo de Edouard Philippe com o Presidente Macron a 22 junho 2017

Primeira reunião do Governo de Edouard Philippe com o Presidente Macron a 22 junho 2017

CHRISTOPHE PETIT TESSON / POOL

Remodelação governamental "de grande amplitude"

A remodelação adivinha-se assim de grande amplitude e acontece depois de vários encontros do Presidente com figuras de destaque como os seus predecessores, Nicolas Sarkozy e François Hollande, mas também com autarcas e ainda os líderes da Assembleia Nacional e do Senado, assim como o presidente do Conselho Económico, Social e Ambiental.

Para substituir as várias baixas, o Presidente terá em mente perfis próximos da esquerda, nomeadamente personalidade envolvidas nos combates ecológicos e também tentará trazer mais mulheres com papéis de maior destaque para o Executivo.