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Antigos líderes mundiais querem que Europa pressione Israel contra anexação da Cisjordânia

Pascal Lauener

Grupo formado por Nelson Mandela deixaram alertas em cartas.

Um grupo de antigos líderes mundiais pediu esta sexta-feira aos governantes europeus para que mantenham pressão sobre Israel contra a anexação de partes da Cisjordânia, e alertou para a não complacência para com aquele país.

'The Elders', um grupo formado em 2007 por Nelson Mandela (1918-2013), deixaram os alertas em cartas enviadas aos líderes de França, Alemanha, Reino Unido e União Europeia (UE), noticia a agência AP.

Os ex-governantes aconselharam os atuais líderes a insistirem com Israel de que a anexação de partes da Cisjordânia teria consequências políticas e económicas negativas para as relações bilaterais e regionais.

'The Elders', liderados pela ex-presidente irlandesa Mary Robinson, juntamente com a viúva de Nelson Mandela, Graça Machel, e o ex-secretário geral da ONU Ban Ki-moon, como copresidentes, sublinharam que a anexação é "fundamentalmente contrária aos interesses a longo prazo dos povos israelitas e palestinianos".

Suspensão do acordo entre a UE e Israel?

Este grupo pediu ainda aos líderes da UE que considerem suspender o acordo entre os 27 países e Israel se a anexação for concretizada e recordaram a "responsabilidade histórica e permanente" do Reino Unido para com a sua antiga colónia, a Palestina.

Esta mensagem foi seguida por uma reação do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que apelou a Israel para cancelar o plano de anexação.

Israel diz que anexação foi adiada

Israel não fez qualquer movimento para anexar o território na data que tinha anunciado, pelo seu primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, 1 de julho.

O ministro dos Assuntos Sociais israelita, Ofir Akunis, explicou que o processo de anexação por parte de Israel foi adiado, em declarações à estação de rádio do Exército daquele país.

O governante adiantou que as autoridades ainda estão a trabalhar nos detalhes finais com os parceiros norte-americanos e disse esperar que a anexação ocorra no final deste mês.

Uma solução para dois estados, apoiada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e pela maioria da comunidade internacional, prevê um estado palestiniano independente em todo o território da Cisjordânia, que Israel anexou à Jordânia em 1967, e Gaza, através de trocas de terras acordadas.

Palestinianos querem Jerusalém Oriental como a capital do seu estado

Os palestinianos querem Jerusalém Oriental como a capital do seu estado, mas o futuro de Jerusalém será uma questão a ser ainda decidida nas negociações entre israelitas e palestinianos.

O plano de paz promovido pelo Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, apresentado em janeiro, prevê a anexação por parte de Israel de colónias judaicas e do Vale do Jordão, uma vasta planície agrícola na Cisjordânia, e a criação de um Estado palestiniano num território reduzido. Esse plano foi rejeitado pelos palestinianos.

Quer as Nações Unidas, quer a UE e os principais países árabes disseram que a anexação violaria o direito internacional e comprometeria as perspetivas já reduzidas de estabelecer um Estado palestiniano viável e independente ao lado de Israel.