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Ministério Público da Bolívia acusa Evo Morales de terrorismo

Agustin Marcarian

E pede a sua detenção.

O Ministério Público da Bolívia emitiu uma acusação formal contra o ex-presidente do país o Evo Morales, que se encontra na Argentina, por alegados crimes de terrorismo, pedindo a sua prisão preventiva.

A acusação foi emitida pela Comissão de Procuradores Anticorrupção, informou hoje a Procuradoria-Geral da Bolívia.

Evo Morales está a ser investigado no chamado "Caso Áudio", devido a uma gravação telefónica em que uma voz atribuída ao antigo chefe de Estado insta a bloquear cidades durante o conflito político e social que ocorreu na Bolívia entre outubro e novembro do ano passado.

Acusação baseada em conversa telefónica com o líder dos produtores de cocaína

"De acordo com as investigações, tornou-se evidente que o antigo chefe de Estado e o corréu Faustino Y.Y. mantiveram comunicação através de chamadas telefónicas em 14 de novembro de 2019, a partir da Cidade do México", onde Morales se encontrava, "para El Torno" na Bolívia, de acordo com um comunicado da Procuradoria-Geral boliviana.

A nota acrescenta que, "aparentemente", na conversa, "Morales teria instruído o líder dos produtores de coca a cometer atos ilícitos durante os violentos acontecimentos que tiveram lugar no país a partir de 10 de novembro de 2019", quando o então presidente anunciou a sua demissão, denunciando que tinha sido forçado a um golpe de Estado.

O que mostra o relatório de chamadas?

Um relatório de chamadas para ambas as suas linhas telefónicas feitas pelo Instituto de Investigação Técnica e Científica da Universidade de Polícia da Bolívia mostra que Morales e Yucra teriam comunicado em pelo menos mais duas ocasiões entre 12 e 17 de novembro de 2019, de acordo com o Ministério Público.

Yucra foi enviado para uma prisão na cidade boliviana de Santa Cruz depois de ter sido preso em abril passado, sob a acusação de terrorismo e rebelião, como parte do mesmo processo judicial, que se encontra na fase preliminar.

A Bolívia é liderada há vários meses por Jeanine Añez, uma senadora de direita que ocupou a Presidência interina após a demissão em novembro de 2019 do socialista Evo Morales, desde então exilado na Argentina.

No poder desde 2006, o antigo Presidente proclamou-se vencedor do escrutínio presidencial de 20 de outubro, para um quarto mandato, mas a oposição denunciou uma fraude eleitoral.

Após semanas de manifestações, e abandonado pela polícia e pelos militares, Morales demitiu-se em 10 de novembro e deixou a Bolívia, após denunciar um golpe de Estado e considerar que a sua vida corria perigo.

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