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Convocados protestos em França contra novo ministro acusado de violação

BENOIT TESSIER

Manifestantes vão protestar também contra ministro que ridicularizou o movimento #MeToo.

Ativistas dos direitos das mulheres convocaram protestos para cerca de 50 cidades em França e no estrangeiro contra a nomeação do novo ministro do Interior, acusado de violação, e do ministro da Justiça, que ridicularizou o movimento #MeToo.

As ações de protesto começaram quarta-feira e repetiram-se esta sexta-feira de manhã em Dijon (leste), à margem de um encontro do novo ministro do Interior, Gerald Darmanin, e do novo primeiro-ministro, Jean Castex, com a polícia, com uma dezena de ativistas a manifestarem-se, com cartazes exigindo a demissão de Darmanin e denunciando "a cultura de violação".

O grupo feminista Nous Toutes (Todas Nós) anunciou manifestações em Paris e outras cidades francesas, assim como junto a embaixadas e consulados franceses em Londres, Sydney, Montreal, Berlim, Bruxelas, Barcelona e Telavive.

A coordenadora nacional do grupo, Pauline Baron, considerou as nomeações "uma bofetada na cara" das vítimas de violência sexual.

Cerca de 300 manifestantes protestaram esta sexta-feira em Toulouse (sul), com cartazes onde se lia "Bem-vindo ao ministério da violação", "Um violador no Interior, um cúmplice na Justiça" ou "Violadores na prisão, não no governo".

Em Paris está prevista uma manifestação para esta sexta-feira às 18:00 (17:00 em Lisboa) frente à câmara municipal, convocada pela comissão feminista de estudantes da Universidade de Paris e pelo grupo Nous Toutes.

BENOIT TESSIER

O Governo assegurou que mantém o compromisso com a igualdade de género e defendeu os novos ministros frisando a presunção de inocência.

Novo ministro acusado por duas mulheres

Darmanin, nomeado segunda-feira ministro do Interior, foi acusado em 2017 por duas mulheres, uma por violação em 2009, a outra por abuso de pessoa incapaz, acusações que nega.

A primeira acusação está sob investigação e a segunda foi arquivada pelo Ministério Público.

O ministro da Justiça, Eric Dupond-Moretti, é advogado e defendeu um membro do executivo acusado de violação e agressão sexual, ridicularizando as mulheres que denunciaram agressões sexuais no âmbito do movimento #MeToo.