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Políticas alemãs receberam ameaças de morte de um grupo neonazi

HANNIBAL HANSCHKE

Já foi nomeado um procurador especial encarregado das investigações a estas ameaças de morte.

Dirigentes políticas alemãs do partido de esquerda Die Linke dizem ter recebido ameaças de morte com a assinatura de um grupo neonazi que pode ter infiltrado membros nas forças policiais.

A líder do Die Linke no parlamento regional de Berlim, Anne Helm, disse esta sexta-feira que recebeu, por correio eletrónico, na passada semana, uma espécie de "sentença de morte" vinda de movimentos neonazis.

Uma situação semelhante foi também confirmada pelas deputadas Martina Renner e Janine Wissler, deputadas regionais do Die Linke no Estado federal de Hesse, no sul da Alemanha, onde há suspeitas de elementos desses grupos radicais terem infiltrado os corpos policiais.

Perante esta situação, o ministro do Interior do Estado de Hesse, Peter Beuth, anunciou a nomeação de um procurador especial encarregado das investigações a estas ameaças de morte.

Também Seda Basay-Yildiz, advogada que defendeu famílias de vítimas de grupos extremistas de direita, com residência em Frankfurt, diz ter recebido cartas ameaçadoras com a assinatura de um movimento neonazi.

Ministro do Interior de Hesse disse ser uma situação "inadmissível"

Alguns meios de comunicação social na Alemanha noticiaram que, pouco antes de Wissler ter recebido a primeira ameaça, em fevereiro, alguém teria consultado os seus dados pessoais, num computador da polícia.

O ministro do Interior de Hesse já disse que esta situação é "inadmissível" e prometeu todo o empenho em resolver a questão, admitindo a possibilidade de haver elementos de grupos neonazis infiltrados dentro da polícia regional.

Esta semana, o ministro do Interior da Alemanha, Horst Seehofer, tinha alertado para o aumento de crimes por parte de movimentos de extrema-direita, com motivações racistas ou antissemitas, ameaçando a segurança do país.

"O número de crimes e o número de pessoas pertencentes a grupos de extrema-direita que estão dispostos a usar a violência aumentaram", disse o ministro, na apresentação do relatório dos serviços de inteligência para 2019.

Horst Seehofer também referiu a possibilidade de infiltração de elementos de grupos de extrema-direita no interior dos serviços de segurança, alertando para o risco que estas situações representam para a segurança da Alemanha.

Há alguns meses, uma força de elite do exército alemão foi parcialmente desmantelada, quando se descobriu que vários membros desse corpo militar pertenciam também a grupos radicais de direita, acusados de crimes contra a segurança nacional.