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75 anos de Hiroshima. "A odiar alguma coisa, devo odiar a guerra"

Eugene Hoshiko

Koko Kanimoto estava na escola quando a bomba caiu. Ao colo do pai, a caminho de casa pela cidade devastada, viu outras crianças caídas. No momento pensou: "quando crescer, vou-me vingar em nome de todas as crianças".

Hiroshima assinalou esta quinta-feira o 75.º aniversário do bombardeamento atómico da cidade japonesa, com o autarca da cidade a criticar o Governo Japonês por se recusar a assinar o tratado de proibição de armas nucleares.

A bomba atómica lançada pelos Estados Unidos matou 140 mil pessoas e precipitou a rendição do Japão e o fim da II Guerra Mundial.

As cerimónias deste ano foram reduzidas a um décimo da assistência, por causa da pandemia. Apenas sobreviventes e familiares puderam assistir presencialmente ao discurso que marcou a celebração.

O autarca de Hiroshima lembrou que, durante outra pandemia, o mundo vivia a I Guerra Mundial e não soube unir-se para combater a gripe espanhola.

Papa Francisco apela ao desarmamento nos 75 anos do ataque

O Papa Francisco apelou hoje ao desarmamento defendendo que para conseguir a paz é necessário que todos os povos deponham as armas de guerra, "em especial as mais poderosas e destrutivas: as armas nucleares".

No dia em que se assinalam os 75 anos do bombardeamento nuclear de Hiroshima, o chefe da Igreja Católica enviou uma mensagem ao governador daquela cidade japonesa, Hidehiko Yuzaki, saudando em especial os sobreviventes da tragédia que provocou a morte de milhares de pessoas.

Vatican Media

Na mensagem, citada pela agência de notícias EFE, o Papa argentino recordou que em novembro do ano passado teve "o privilégio de poder ir pessoalmente às cidades de Hiroshima e Nagasaki", onde pôde refletir sobre "a destruição da vida humana e a destruição provocada nessas cidades durante esses dias terríveis da guerra, que aconteceu há três quartos de século".

Para Francisco "nunca esteve tão claro que, para que a paz floresça, é necessário que todos os povos deponham as armas de guerra, em especial as mais poderosas e destrutivas: as armas nucleares que podem paralisar e destruir cidades inteiras, países inteiros".

António Costa apela aos "valores da paz e da cooperação"

O primeiro-ministro, António Costa, apelou hoje à reflexão sobre os "valores da paz e da cooperação entre os povos", no dia em que se assinalam 75 anos do bombardeamento nuclear de Hiroshima.

"Há 75 anos, o mundo acordou para uma nova era com a devastação nuclear de #Hiroshima e, depois, #Nagasaki. É um momento para refletir sobre os valores da paz e da cooperação entre os povos e para assegurar que os primeiros bombardeamentos nucleares tenham sido os últimos", escreveu António Costa na rede social Twitter.

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