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Abertas mesas de voto para as Presidenciais na Bielorrússia

TATYANA ZENKOVICH

Presidente Alexandr Lukashenko procura ser reeleito, tendo como principal rival Svetlana Tijanovskaya.

As mesas de voto para as eleições presidenciais abriram na Bielorrússia, numa eleição em que Presidente Alexandr Lukashenko, procura ser reeleito, tendo como principal rival Svetlana Tijanovskaya, a candidata de uma oposição unificada.

Quase sete milhões de bielorrussos são chamados às urnas, embora mais de um terço dos eleitores tenha podido exercer antecipadamente o seu direito de voto desde 04 de agosto.

As mesas de voto abriram às 08:00 horas locais (06:00 em Lisboa) e fecharão às 20:00.

Lukashenko, que está no poder desde 1994 e que alterou a constituição várias vezes para poder concorrer à reeleição sem limites, procura um sexto mandato.

Desde a chegada de Alexander Lukashenko ao poder, em 1994, nenhuma corrente da oposição conseguiu afirmar-se no panorama político bielorrusso. Muitos dos seus dirigentes foram detidos e, em 2019, nenhum opositor foi eleito para o parlamento.

Os resultados das últimas quatro eleições presidenciais não foram reconhecidos como justos pelos observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), que denunciaram fraudes e pressões sobre a oposição.

Pela primeira vez desde 2001, e por não ter recebido um convite oficial a tempo, a OSCE não estará presente na votação de domingo para observar a votação.

Os analistas acreditam que Lukashenko já não tem o mesmo apoio popular que antes, em grande parte devido à sua gestão da covid-19, pois nunca admitiu a escala da pandemia e os riscos de contágio, o que causou grande descontentamento popular.

Outra razão é a estagnação da economia nacional, que irá contrair 4% este ano, segundo o Banco Mundial, a maior queda desde que Lukashenko chegou ao poder.

Além disso, Lukashenko tem sido fortemente criticado pela detenção dos dois principais candidatos da oposição e pela recusa registar um terceiro, que se exilou.

Dois potenciais candidatos às eleições presidenciais de 09 de agosto foram presos, levando a mulher de um deles, Svetlana Tikhanovskaya, a assumir uma candidatura que conseguiu níveis de mobilização sem precedentes nos seus comícios.

Sviatlana Tsikhanouskaya, uma professora de inglês de 37 anos, desconhecida ainda há pouco meses mas que conseguiu recolher as 100.000 assinaturas necessárias e é mulher de um 'blogger' detido pelo regime.

Lukashenko, por sua vez, denunciou uma conspiração entre opositores e mercenários russos para cometer um "massacre" numa tentativa de desestabilizar o país e tomar o poder.

Acusa também o Ocidente, particularmente os Estados Unidos, de conspirar contra ele.

Svetlana Tikhanovskaya e Moscovo descreveram as acusações da Bielorrússia contra eles como sendo fabricadas.

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