Mundo

Maurícia. O desastre ambiental que a população tenta travar com cabelos e canas-de-açúcar

PIERRE DALAIS

Foi lançado um movimento para doar cabelo que será utilizado para criar barreiras que irão impedir o combustível derramado pelo navio de chegar à costa.

As imagens são reveladoras de uma verdadeira catástrofe ambiental na ilha Maurícia. Especialistas e voluntários têm utilizado todas as ferramentas ao seu alcance para impedir que as águas fiquem poluídas com o petróleo derramado por um navio japonês.

Neste momento, dois navios vão começar a bombear o combustível e já estão a ser colocadas barreiras para proteger a costa. A população, inclusive, tem-se envolvido em ações de limpeza, mas não só. Foi agora lançado um movimento que apela à doação de cabelo, que será colocado em redes, para absover o combustível da água.

REUNION REGION HANDOUT

Romina Tello, fundadora da agência de ecoturismo Mauritius Conscious, que passou o fim de semana a ajudar a limpar o combustível da zona costeira, revelou que os populares estão a criar "barreiras" com folhas de cana-de-açucar e cabelo doado por centenas de habitantes.

"O cabelo absorve o petróleo", explicou numa entrevista à agência Reuters. "Tem havido uma grande campanha na ilha para conseguir cabelo."

#DonnToSevePouSovNouLagon é a hashtag associado ao movimento.

A deputada Joanna Berenger deu o exemplo nas redes sociais, unindo-se ao "esforço cívico" e defendendo que um quilo de cabelo pode absorver até oito litros de hidrocarbonetos.

"É por uma boa causa! Vamos amigos, a Mãe Natureza precisa de nós!", incentivou.

As imagens que chegam das agências internacionais representam um quadro de esforço comum: voluntários costuram folhas e cabelos em redes que vão flutuar na água e "encurralar" o combustível até que possa ser bombeado por mangueiras.

Os centros de mergulho e pescadores também se juntaram às equipas de limpeza. Cada um contribuiu com aquilo que pode: uns oferecem sandes, outros alojamentos e até há cabeleireiros a fazer um desconto a quem doar o cabelo à causa.

REUNION REGION HANDOUT

REUNION REGION HANDOUT

Um navio japonês encalhado na ilha Maurícia já derramou mais de mil toneladas de combustível, poluindo os recifes de coral e as lagoas protegidas.

O Governo declarou o estado de emergência, mas os trabalhadores e voluntários que tentam travar que mais 1.500 toneladas de petróleo se espalhem pelo mar estão a correr contra o tempo: o navio está em risco de se partir antes mesmo de as equipas conseguirem remover todo o combustível restante.

"Estamos à espera do pior", disse o responsável pela Fundação para a Vida Selvagem das Maurícias, Jean Hugues Gardenne.

"O navio está com rachaduras muito grandes. Acreditamos que irá dividir-se a qualquer momento, no máximo em dois dias.", afirmou, acrescentando que o desastre pode piorar muito.

O navio MV Wakashio encalhou na ilha Maurícia a 25 de julho, mas só na semana passada é que começaram os trabalhos para remover o petróleo quando o casco partiu e o petróleo escorreu para o mar. A demora está a colocar pressão sob o Governo de Pravind Jugnauth, que não agiu de imeadito, e já vários ativistas e membros da oposição pediram a demissão do ministro de Ambiente.

LAURA MOROSOLI

LAURA MOROSOLI

LAURA MOROSOLI

  • 21:07