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Menino de 8 anos com necessidades especiais foi detido e preso pela polícia

A polícia norte-americana e a escola estão a ser processadas.

Advogados de direitos civis estão a processar a polícia norte-americana e o agrupamento de escolas de Key West, na Florida, depois de um dos seus alunos, uma criança de oito anos com necessidades especiais, ter sido algemado e colocado numa cela depois de ser acusado de agredir uma professora.

O caso remonta a 2018 e o vídeo do momento foi filmado pela câmara de um dos agentes.

As imagens

As imagens mostram os polícias a algemarem a criança, visivelmente perturbada pela situação, antes de a transportarem para a esquadra, onde foi colocada numa cela. Foram registadas as suas impressões digitais e recolhida uma amostra de ADN.

“Percebes que isto é muito sério? Não gosto que me tenhas posto na posição de ter de fazer isto. O problema é que erraste. Agora é altura de aprenderes e cresceres para não repetires o mesmo erro”, pode ouvir-se um dos polícias dizer à saída.

Ação civil interposta contra a cidade e autoridades

A ação agora movida pelo advogado Benjamin Crump acusa os funcionários da cidade e da escola de terem agentes da polícia em ambiente escolar sem formação para lidar com a detenção de estudantes, em particular de crianças com necessidades especiais.

“Em resultado disso, os polícias mostram uma indiferença deliberada a uma situação que deveria ter sido tratada como uma questão comportamental. Onde está a decência? Onde está a humanidade?”, questionou o advogado.

Esta segunda-feira, o comandante da polícia de Key West, Sean T. Brandenburg, defendeu as ações dos seus agentes, garantindo que foram seguidos os “procedimentos padrão”.

O que motivou a detenção?

O incidente terá ocorrido no refeitório da escola, depois do menino ser alertado por várias vezes para o facto de “não estar sentado corretamente”. Depois disso, a professora pediu-lhe que se sentasse junto a si, algo que a criança recusou, pedindo-lhe que não lhe tocasse.

De seguida, a professora pediu-lhe que a acompanhasse, altura em que a criança terá dito “a minha mãe vai dar-te uma tareia” e disferido um soco na professora. Na ação civil agora apresentada, os advogados referem que a professora nunca se queixou de ferimentos.

Segundo a ABC News, que cita a mãe, o menino sofre de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, depressão, ansiedade e transtorno desafiador opositivo, para os quais está medicado.

Foram precisos oito meses para que os procuradores desistissem da acusação contra a criança de oito anos.

“Recusei que fizessem dele um criminoso condenado aos oito anos”, disse a mãe.

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