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Acordo de paz "abre uma série de oportunidades a Israel, no mundo árabe, para novas alianças"

Correspondente SIC

A análise de Henrique Cymerman, correspondente da SIC no Médio Oriente, ao acordo de paz histórico entre Israel e Emirados Árabes Unidos.

Desde 1994 é a primeira vez que Israel chega a um acordo de paz com um país "árabe importante", neste caso uma potência económica e política no Golfo Pérsico, começa por dizer Henrique Cymerman. Israel tem apenas dois acordos de paz no mundo árabe, com o Egipto e a Jordânia.

Este acordo histórico, chamado de "O acordo do século", é a "normalização total diplomática e económica, a troco de Benjamin Netanyahu congelar os projetos de anexação de partes da Cisjordânia", que tinham sido anunciados em primeiro lugar até 1 de julho e acabaram por ser adiados.

O correspondente da SIC ressalva que "esta normalização era o que faltava", já que os israelitas e os Emirados Árabes Unidos já faziam "todo o tipo de negócios e já tinham todo o tipo de contactos".

O Governo de Israel vive crise atrás de crise e não se sabe se o atual executivo vai aguentar. Mas há algo que é consensual na sociedade israelita, que é a necessidade de aproximação aos países do Golfo Pérsico. Esta aproximação, explica Cymerman pode trazer novos vínculos comerciais a outros países do Médio Oriente, um passo que é visto em Israel como "extremamente importante para o futuro do país".

Outro ponto em comum, que Cymerman destaca, são os inimigos. Árabia Saúdita, Emirados Árabes Unidos e Israel, países sunitas, têm inimigos comuns.

"Em primeiro lugar o Irão, uma ameaça para todos" e também os "grupos jihadistas - Al Qaeda e o Estado Islâmico -, que apesar de terem sido relativamente derrotados na Síria e no Iraque, ainda existem" e podem estar a "reorganizar-se noutros pontos do Médio Oriente."

Possibilidades estratégicas de colaboração, inimigos comuns e sobretudo o interesse de desfrutar dos avanços tecnológicos de Israel - por exemplo na medicina e na agricultura -, são algumas das razões apontadas pelo correspondente da SIC para este acordo histórico.

Henrique Cymerman destaca ainda a importância dos EUA terem compreendido que para chegar à paz, eventualmente no futuro entre Israel e os palestinianos é preciso de alguma maneira abraçar o mundo árabe. E o quarteto Egipto, Emirados, Arábia Saudita e Jordânia será essencial na "relação com Israel para tranquilizar os conflitos no Médio Oriente".

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