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Homem detido na Noruega por suspeita de espionagem ao serviço da Rússia

Rafael Marchante

O norueguês de 50 anos foi detido depois de se ter encontrado num restaurante com o oficial russo.

Os serviços de inteligência noruegueses (PST) anunciaram esta segunda-feira a detenção de um norueguês suspeito de ter fornecido informações confidenciais à Rússia.

"O homem é formalmente suspeito de ter fornecido a um Estado estrangeiro informações que podem prejudicar interesses fundamentais da nação", indicaram os PST na rede social Twitter.

Uma funcionária dos PST esclareceu que essa potência estrangeira era a Rússia.

"A pessoa detida reuniu-se com um oficial dos serviços de inteligência russos", afirmou Line Nyvoll Nygaard, uma procuradora para os serviços de inteligência, ao canal de televisão TV2 Nyhetskanalen.

Por seu lado, o organismo de certificação DNV GL, especializado na verificação de instalações industriais e meios de transporte, confirmou que se trata de um dos seus empregados.

"O suspeito (...) através da sua posição obteve acesso a informações que, a nosso ver, podem ser de grande interesse (...) para outros países e atores", continuou Nyvoll Nygaard.

Suspeito nega acusações

Segundo o seu advogado, o suspeito nega os factos que são puníveis com 15 anos de prisão no país escandinavo.

No sábado, o suspeito de 50 anos foi detido depois de se ter encontrado num restaurante com o oficial russo e esta segunda-feira foi detido sob custódia provisória de quatro semanas, as duas primeiras em isolamento total.

"É decisivo que o acusado não se possa comunicar com o mundo exterior por intermédio, por exemplo, de outros detidos e ter a possibilidade de influenciar as testemunhas e eliminar provas", destacou o tribunal de Oslo.

A embaixada russa na capital da Noruega não fez comentários.

Os riscos de espionagem na Noruega

No relatório anual de avaliação de risco publicado em fevereiro, os PST alertaram para os riscos de espionagem que pairam sob vários setores da sociedade norueguesa (poder político, círculos económicos, defesa, investigação...), designando particularmente a Rússia, China e Irão.

Vários casos de espionagem pontuaram nas últimas décadas as relações entre a Noruega, um país que pertence à Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), e a Rússia, com quem partilha uma fronteira comum no círculo ártico.

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