Mundo

Lukashenko ordena fim dos protestos e pede controlo das fronteiras na Bielorrúsia

O presidente eleito da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, preside a reunião do Conselho de Segurança em Minsk.

ANDREI STASEVICH / BELTA / POOL

Presidente eleito da Bielorrússia começa a apertar o cerco aos manifestantes.

O Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, ordenou esta quarta-feira ao ministro do Interior que impeça protestos e reforce as fronteiras, depois de semana e meia de contestação nas ruas da sua reeleição nas presidenciais de 9 de agosto.

"Não deve haver mais nenhum distúrbio em Minsk. As pessoas estão cansadas e pedem paz e tranquilidade", disse Lukashenko após uma reunião do conselho de segurança do seu governo, segundo declarações divulgadas pela agência estatal Belta.

Lukashenko ordenou o reforço do controlo nas fronteiras "para impedir que combatentes, armas, munições ou dinheiro provenientes de outros países entrem na Bielorrússia para financiar os distúrbios".

Ao Ministério da Defesa, o Presidente pediu "atenção particular aos movimentos de tropas da NATO no território da Polónia e da Lituânia", dois países com fronteira com a Bielorrússia, acrescentando que "não se hesite em dirigir as Forças Armadas na direção dos seus movimentos".

Segundo a agência, Lukashenko deu também instruções para que os serviços secretos acentuem os esforços para encontrar os organizadores dos protestos e identificar fontes de financiamento.

STR

Lukashenko pediu ainda ao Governo que "assegure o bom funcionamento das empresas", numa altura em que a oposição apelou para uma greve seguida em várias indústrias vitais para economia bielorrussa.

Crise na Bielorrússia

A crise na Bielorrússia foi desencadeada após as eleições de 9 de agosto, que segundo os resultados oficiais reconduziram Alexander Lukashenko, no poder há 26 anos, para um sexto mandato, com 80% dos votos.

A oposição denuncia a eleição como fraudulenta e milhares de bielorrussos saíram às ruas por todo o país para exigir o afastamento de Lukashenko.

Os protestos têm sido duramente reprimidos pelas forças de segurança, com quase 7.000 pessoas detidas, dezenas de feridos e pelo menos três mortos.