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Mali: Líder da oposição raptado em março envia cartas à família

Ann Risemberg

Anúncio feito pelo Comité Internacional da Cruz Vermelha.

O líder da oposição do Mali Soumaila Cissé, raptado, alegadamente por 'jihadistas', em 25 de março, em plena campanha legislativa, enviou cartas à família, com a qual não contactava há meses, anunciou o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

Esta é uma das primeiras provas de vida do antigo candidato às eleições presidenciais de 2013 e 2018, apesar do Presidente do país, Ibrahim Boubacar Keita, que foi derrubado por um golpe de Estado na terça-feira, ter assegurado, em meados de junho, que o seu rival estava "vivo".

"Conhecemos os seus raptores. E se Deus quiser, voltará em breve", disse Keita.

A libertação desta figura política da oposição era uma das reivindicações de manifestantes, que há meses vinham reclamando também a saída do Presidente Keita.

"O CICV entregou cartas do senhor Soumaila Cissé a um membro da sua família", disse hoje a organização num comunicado emitido de Bamako, capital do Mali.

O Comité Internacional da Cruz Vermelha acrescentou que, "após muitos meses sem contacto, sem poder receber notícias de um ente querido, é de um conforto inestimável para a família".

"Gostaria de deixar claro que as cartas continham apenas informações familiares e que o CICV não está envolvido nas negociações para a libertação do senhor Cissé", afirmou o chefe da delegação do CICV no Mali, Klaus Spreyermann, citado na nota.

"Como ator humanitário neutro e independente, quando for alcançado um acordo entre as partes envolvidas, o CICV estará pronto a facilitar qualquer transferência de reféns", adiantou.

Na ausência de provas e reivindicações formais, as suspeitas pairam sobre o grupo 'jihadista' de Amadou Koufa, filiado na Al-Qaida.

Golpe de Estado no Mali

O golpe de Estado na terça-feira começou com a detenção pelos militares golpistas do Presidente Keita - que anunciou a sua demissão algumas horas depois da detenção e após meses de protestos e agitação social - e do seu primeiro-ministro, Boubou Cissé, bem como a detenção de altos funcionários civis e militares, que foram levados para o campo militar de Kati, nos subúrbios da capital maliana, Bamako.

O golpe de Estado de terça-feira é o quarto na história do Mali, que se tornou independente da França em 1960. Os militares tomaram o poder em 1968, 1991 e 2012, tendo o último aberto as portas do país a grupos 'jihadistas'.

A ação dos militares foi condenada pela Organização das Nações Unidas (ONU), União Africana, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental e União Europeia (UE).

Portugal tem no Mali 74 militares integrados em missões da ONU e da UE.

Antigo primeiro-ministro (1994-2000), Ibrahim Boubacar Keita, 75 anos, foi eleito chefe de Estado em 2013, e renovou o mandato de cinco anos em 2018.

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