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Ataque ao Charlie Hebdo. Penas podem ir de 20 anos de prisão a perpétua

YOAN VALAT

Tribunal onde está a ser julgado o caso encontra-se sob fortes medidas de segurança.

Começou esta quarta-feira em Paris o julgamento dos 14 acusados de colaborarem nos ataques terroristas de 2015 ao jornal Chalie Hebdo e ao supermercado judeu.

Três serão julgados à revelia por terem escapado à perseguição policial desencadeada logo após os ataques. Julga-se que possam estar na Síria, mas há relatos contraditórios sobre a possibilidade de terem sido mortos.

A moldura penal para os crimes de que são acusados a maioria dos arguidos varia entre 20 anos de cadeia e prisão perpétua. Três são acusados de cumplicidade na preparação dos atentados e de terem fornecido as armas, os restantes por associação criminosa.

Apenas um dos acusados aguarda o julgamento em liberdade, incorrendo numa pena de prisão de 10 anos por auxílio aos criminosos.

O julgamento vai prolongar-se até 10 de novembro. Todas as audiências serão filmadas e arquivadas.

François Hollande defende "direito à blasfémia"

François Hollande, o então Presidente francês em exercício, diz que o que está em causa é, para além da liberdade de expressão, a igualdade entre franceses, religiões, e a garantia do "direito de blasfemar".

O início de uma onde de atentados em França

Só no ataque ao jornal Charlie Hebdo morreram 12 pessoas. Foi o início de uma onda de atentados em França que viria a fazer centenas de vítimas.

Na altura, há muito que os funcionários da revista recebiam ameaças de morte por causa das publicações satíricas, mas ninguém esperava o que viria a acontecer.

Eram 11h30 (hora local) de 7 de janeiro. Dois homens vestidos de preto e armados com kalashnikovs entram no número 10 da rua Nicolas-Appert em Paris. Sobem ao segundo andar, interrompem uma reunião editorial e abrem fogo.

De acordo com testemunhas, chamam um a um pelo nome dos cartoonistas que querem executar à queima-roupa. São mais de cinco minutos de terror.

No mesmo dia, a cidade volta a ser palco de mais uma cena de terror. Um homem armado invade um supermercado em Porte Vincennes, matando três clientes e um empregado.

Em apenas três dias 17 pessoas perderam a vida. Os ataques deram início a uma onda de atentados em França, que fizeram mais de 250 vítimas mortais.