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A (atribulada) aventura de Pip

Cadela foi forçada a ficar longe da família durante 5 meses.

Estávamos em março quando uma família australiana teve de interromper as férias, regressar a casa e deixar para trás Pip, a cadela de raça Dachshund, mais conhecidos como "cães salsicha".

Pip, Zoe Eilbeck, Guy Eilbeck e os dois filhos estavam a fazer uma viagem num veleiro e naquele momento encontravam-se em Key West, no estado norte-americano da Florida. Por causa da pandemia de Covid-19, a família foi obrigada a regressar a casa porque o Governo anunciou que ia fechar as fronteiras e solicitou a todos os turistas que regressassem aos países de origem no espaço de dois dias.

Como não podiam regressar de barco, tiveram de recorrer aos voos. E foi aí que começaram os problemas. Para transportar um cão para a Austrália de avião é preciso reunir uma documentação específica que, de acordo com Guy Eilbeck , demora "cerca de 6 meses".

"A Pip deixou de viver num veleiro para passar a viver numa quinta com bisontes"

Assim, o casal decidiu que o melhor e mais seguro seria deixar a cadela com um amigo. Depois disso, os quatro dirigiram-se até Atlanta, apanharam um voo para Los Angeles e daí seguiram noutro voo para Austrália. Conseguiram fazê-lo antes do encerramento das fronteiras.

Quanto a Pip, ficou nos Estados Unidos em casa do amigo Williams. "Pensámos que a íamos deixar apenas por quatro ou seis semanas", disse Zoe Eilbeck em entrevista ao Good Morning America. Mas isso não aconteceu e seis semanas transformaram-se em cinco meses.

"A Pip deixou de viver num veleiro para passar a viver numa quinta com bisontes", contou.

Mas como Williams já tinha dois cães, Pip não ficou muito tempo na quinta porque os animais não conseguiram adaptar-se uns aos outros.

De forma a encontrar um abrigo temporário para o animal de estimação, a família publicou um anúncio. Ellen Steinberg, que vive em Hillsborough, na Carolina do Norte, foi uma das pessoas que respondeu e foi quem no final acolheu Pip.

Na Austrália, a família percebeu que devido à evolução da pandemia, era cada vez mais impossível regressar aos EUA para trazer Pip de volta. Então, chegaram à conclusão que a cadela teria de fazer a viagem de regresso a casa sozinha. E, a partir desse momento, começaram os processos burocráticos.

Zoe Eilbeck contou à CNN o quão difícil e complicado foi o processo. Depois de muitos telefonemas e pedidos de licenças, Zoe começou a organizar a viagem de Pip.

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Depois de três e viver com Ellen Steinberg, Pip foi para a casa Stacey Green, uma amiga de Ellen. Esta mudança deu-se porque Ellen Steinberg tinha de fazer uma viagem para visitar a família e não podia levar a cadela.

"Quando a Stacey ficou com a Pip, eu pensei que nunca mais ia recuperá-la. A Pip apaixonou-se por ela", disse Zoe em tom de brincadeira.

O início da viagem de regresso a casa

Mas Zoe estava focada na viagem. Conta que publicou uma mensagem no Facebook em que pedia ajuda a alguém que fosse fazer um voo da Carolina do Norte para Los Angeles e que pudesse levar Pip consigo.

Melissa Young, funcionária de uma fundação que se dedica ao resgate de animais (The Sparky Foundation), voluntariou-se para fazer a viagem. Young voou de Greensboro para Charlotte, na Carolina do Norte, e depois de Charlotte para Los Angeles.

Chegada a Los Angeles, Pip foi entregue à Jetpets que tratou dela durante a noite e assegurou que a documentação necessária para voar até Auckland, na Nova Zelândia, estava em ordem.

Em Sydney, a família seguiu sempre o voo através da internet.

Pip chegou a Auckland no dia 23 de julho e esteve em quarentena durante a noite antes de voar para Melbourne, onde passou mais 10 dias em quarentena. Todos os animais que chegam à Austrália são obrigados a passar por este processo.

3 de agosto. Estava previsto Pip apanhar um voo para Sydney mas os planos voltaram a não seguir como esperado. O estado de Vitória impôs restrições, por causa da pandemia, e as fronteiras entre Vitoria e Nova Gales do Sul foram encerradas.

Durante alguns dias, Pip teve de ficar em casa do irmão de Zoe, que mora em Melbourne. Por esta altura, já muitas pessoas tinham conhecimento da história desta família, uma vez que foi criada uma página no Instagram onde foram publicados todos os passos desta aventura.

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Depois de quatro voos cancelados para Sydney e de uma entrevista ao Sydney Morning Herald, a companhia aérea Virgin Australia mostrou disponibilidade em ajudar a família e comprometeu-se em levar Pip de regresso a casa.

Depois de andar de casa em casa, num país que não é o seu, Pip chegou finalmente "à sua casa", em Sydney, no dia 11 de agosto.

Depois de cinco meses separados, Zoe conta que o maior medo que tinham era que Pip os tivesse esquecido. Mas, de acordo com imagens do reencontro, Pip lembrava-se muito bem de quem eram.

O reencontro...

A família está feliz por ter conseguido trazer a cadela de volta a casa.

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