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Coletes amarelos de regresso às manifestações em França

Daniel Cole

O movimento foi criado há quase dois anos.

O movimento social dos "coletes amarelos" volta no sábado às ruas de França para uma série de ações e manifestações em Paris e em outras cidades do país, mas conta já com proibições e restrições das autoridades.

Quase dois anos após a criação do movimento, foram marcadas manifestações em Paris, Marselha, Toulouse, Lyon, Lille, Nantes, Nice, Bordéus e Estrasburgo.

Em Toulouse, que tem sido um dos bastiões do movimento no país, a manifestação foi, no entanto, proibida pelas autoridades locais, devido "aos altos índices de disseminação da covid-19".

É preciso lembrar, sublinham as autoridades, que "as manifestações do movimento dos 'coletes amarelos' em 2018 e 2019 deram origem a acontecimentos graves" no centro de Toulouse.

Em Paris, os manifestantes foram convidados a encontrar-se na famosa avenida dos Campos Elísios, na Praça da Bolsa, na Praça Wagram e na Praça Saint-Pierre, perto da basílica do Sagrado Coração em Montmartre.

"Face aos riscos de perturbações da ordem pública", o presidente da câmara de Paris, Didier Lallement, proibiu "qualquer aglomeração de pessoas que afirmam fazer parte do movimento dos 'coletes amarelos'" em vários setores da capital (Campos Elísios, Eliseu, Assembleia Nacional, Hotel Matignon, entre outros)" entre as 18:00 de hoje e as 18:00 (17:00 em Lisboa) de sábado".

Didier Lallement também proibiu duas manifestações que deveriam passar pelos Campos Elísios, embora 2.300 pessoas tenham indicado que pretendem participar no protesto e 7.000 tenham manifestado interesse, segundo a página do evento no Facebook.

A polícia admitiu esperar 4.000 a 5.000 manifestantes em Paris, incluindo 1.000 pessoas potencialmente violentas.

Jérôme Rodrigues, uma das figuras do movimento, apelou através das redes sociais para que as pessoas adotem uma postura de "desobediência civil completa".

"Peço-vos que, nesse dia, não mostrem nenhuma identificação, mesmo que isso signifique ir dar um passeio até à esquadra para fazer uma verificação de identidade e passar lá quatro horas", referiu.

Criado em 17 de novembro de 2018, o movimento dos "coletes amarelos", anti-elites e que luta por mais justiça fiscal e social, está à procura de um segundo fôlego após um primeiro ano em que "incendiou" a França, entre ocupações e demonstrações violentas.

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