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Ex-coronel de El Salvador condenado a 133 anos de prisão pela morte de cinco jesuítas em 1989

Inocente Montano (centro) em tribunal em dezembro de 2000

Luis Galdamez / Reuters

Os cinco jesuítas espanhóis foram intermediários entre o Governo e a guerrilha para iniciar negociações de paz em 1989.

A justiça espanhola condenou hoje o ex-coronel salvadorenho Inocente Montano a 133 anos e quatro meses de prisão pelo assassinato de cinco jesuítas espanhóis em 1989, durante a guerra civil que dilacerou o país centro-americano.

Os religiosos, que eram membros de uma ordem que serviu de intermediária entre o Governo e a guerrilha da Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN) a fim de iniciar negociações de paz, foram mortos no campus da Universidade Centro-Americana (UCA) de San Salvador.

Outro jesuíta salvadorenho, um empregado dos clérigos e a sua filha também foram mortos no ataque por um batalhão do exército salvadorenho.

Apesar de o tribunal espanhol Audiência Nacional, que julgou Inocente Montano em junho e julho, o tenha considerado culpado dos oito homicídios, só o condenou pelos cinco jesuítas espanhóis, porque o antigo militar, de 76 anos, tinha sido extraditado em 2017 dos Estados Unidos para Espanha unicamente para ser julgado por estas últimas mortes.

Os juízes afirmam que os oito assassinatos "foram planeados, acordados e ordenados pelos membros do alto comando das Forças Armadas [de El Salvador], o órgão a que Inocente Orlando pertencia como vice-ministro para a Segurança Pública", que participou na decisão pela qual "a ordem para levar a cabo as execuções foi transmitida ao diretor-coronel da Escola Militar", Guillermo Benavides, um dirigente médio que foi o único condenado em El Salvador.

O antigo vice-ministro para a Segurança Pública de El Salvador de 1989 a 1992 tinha sido até agora o único acusado pelo sucedido, uma vez que o sistema judicial salvadorenho se recusou a entregar ao sistema judicial espanhol os militares que se encontravam em El Salvador.

De acordo com o princípio da justiça universal, a Audiência Nacional abriu em 2009 uma investigação contra os militares suspeitos de envolvimento no assassinato dos clérigos.

O Ministério Público exigiu 150 anos de prisão para o ex-coronel, que foi acusado de "dar a ordem direta para matar os jesuítas".

A guerra civil em El Salvador terminou em 1992 com um acordo de paz, após 12 anos de conflito entre o governo e a FMLN, que deixou mais de 75.000 mortos e 7.000 desaparecidos.