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Incêndio em campo de refugiados na Grécia. Atenas pede que UE passe das palavras aos atos

Milhares em busca de água e comida em Lesbos.

A Grécia pede à Europa que passe das palavras aos atos. O apelo surge perante a necessidade urgente de realojar os 13 mil migrantes que ficaram sem teto depois do incêndio que destruiu o maior campo de refugiados da Europa.

Milhares de refugiados protestam em Lesbos após incêndios no campos

Milhares de refugiados dos mais de 12.000 que ficaram sem teto após o incêndio no campo de Moria, em Lesbos, manifestaram-se hoje na área onde estão a ser instaladas acomodações temporárias para os abrigar, reletaram os 'media' locais.

"Queremos ir embora! Deixem-nos em liberdade!", gritaram os refugiados, controlados por um cordão policial que cerca toda a área, bem como as estradas de acesso à capital da ilha, Mitilene.Mais de 12.000 pessoas que estavam abrigados em Moria e arredores ficaram sem abrigo, após dois grandes incêndios, na terça e quarta-feira à noite, que as autoridades gregas dizem que foram deliberadamente provocados por alguns dos residentes dos campos de refugiados.

Os refugiados que hoje se manifestaram estão a dormir ao relento há duas ou três noites, arranjando cobertores para se abrigarem do frio da noite.

"Estamos há três dias sem comer, sem beber. Estamos em condições muito difíceis", disse Freddy Mussamba, um dos refugiados dos campos que arderam esta semana.

A instalação deste primeiro campo provisório para os recolher está a ser realizada no meio de um forte dispositivo de segurança, composto por esquadrões de polícia antimotim que chegaram esta manhã do continente.

Helicópteros dos bombeiros trouxeram o material por via aérea, devido aos bloqueios que a população local tem instalado nas estradas há dois dias, para impedir a construção de um novo campo.

Além desta primeira área de dimensões limitadas, o Governo grego está a pensar usar instalações militares e estádios que não estão a ser usados, para montar novas tendas.

O problema das autoridades é a forte resistência da população da ilha, que não quer que o povoamento dos campos se perpetue e há muito que exige a transferência dos refugiados, o que estes também apoiam.

O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, garantiu hoje, durante uma reunião com a vice-presidente da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, que o Governo está a agir o mais depressa possível e sublinhou que o que aconteceu em Moria deve servir para que "todos na Europa possam perceber que este problema não pode ser gerido apenas pelos países anfitriões, pelos países situados nas fronteiras externas da Europa".

"Precisamos de uma nova e ambiciosa política de migração e asilo e aguardamos as propostas da Comissão", acrescentou o líder do Governo grego, referindo-se ao anúncio de Schinas de que apresentará a nova iniciativa para uma política comum de migração, ainda este mês.

Schinas disse que a nova proposta visa evitar os erros de 2016, quando mais de um milhão de pessoas atravessou a Grécia e quando a Alemanha acolheu a maioria delas, enquanto outros países fecharam suas fronteiras.

"A Europa não pode falhar duas vezes numa questão tão importante", sublinhou o primeiro-ministro grego.

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