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Enfermeira denuncia histerectomias em massa nos centros de detenção de imigrantes nos EUA

Bing Guan

Remoção do útero terá sido feita contra a vontade das mulheres.

Dawn Wooten, enfermeira no Irwin County Detention Center, um dos centros de detenção para imigrantes do Serviço de Emigração e Controlo de Fronteiras (ICE) dos Estados Unidos, denunciou a prática de histerectomias em massa nas mulheres contra a sua vontade.

A histerectomia é uma cirurgia ginecológica que consiste na remoção do útero e por vezes dos ovários e trompas, impedindo que as mulheres menstruem e se reproduzam.

A enfermeira, cuja identidade era desconhecida até ao momento, decidiu revelar o que testemunhou depois do seu nome ter sido divulgado ao apresentar queixa ao Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.

“Tive várias mulheres a virem ter comigo em numerosas ocasiões e a dizerem-me ‘Sra. Wooten, foi-me feita uma histerectomia. Porquê?’. Não tinha resposta para elas sobre o porquê de terem sido submetidas a esse procedimento”, contou à estação de televisão MSNBC.

Na queixa que apresentou, Dawn Wooten aborda ainda de forma detalhada a forma como aquele centro de detenção lida com a pandemia de covid-19. Ao jornal online The Intercept conta que não são feitos testes aos detidos, que as máscaras descartáveis são reutilizadas várias vezes e que as condições de higiene e saneamento são negligenciadas.

Revela ainda que devido às suas queixas foi despromovida, deixando de ser enfermeira a tempo inteiro e passando a estar apenas de piquete de urgência.

“Quando comecei a revelar as injustiças fui afastada. É cada um por si lá dentro”, disse.

Priyanka Bhatt, advogada envolvida no processo, afirma que as denúncias da enfermeira apenas vêm confirmar aquilo que era relatado pelos imigrantes detidos há muito tempo – que existe negligência sanitária e falta de cuidados de saúde nestes centros.

As revelações também mereceram já uma reação por parte de Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes: “Se for verdade, as condições pavorosas descritas na queixa da denunciante – incluindo as alegações de histerectomias em massa nas mulheres vulneráveis - é um abuso impressionante dos direitos humanos. Estas alegações devem ser investigadas imediatamente”.