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Human Rights Watch pede investigação à execução de uma mulher no norte de Moçambique

Eurodeputados portugueses deixaram críticas ao silêncio da União Europeia e pediram maior apoio à população moçambicana. As imagens podem impressionar os mais sensíveis.

A organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) defendeu esta quinta-feira uma investigação às imagens nas redes sociais mostrando o que será a execução de uma mulher nua por homens de uniforme militar em Moçambique.

"As autoridades moçambicanas devem investigar urgentemente e de forma imparcial a aparente execução sumária de uma mulher nua e desarmada por homens que envergam uniforme militar" em Moçambique, lê-se num comunicado.

O Governo moçambicano também já defendeu uma investigação urgente à execução de uma mulher no norte do país. O vídeo que circula na internet mostra a vítima a ser espancada e depois abatida com 36 tiros por homens fardados.

Os atiradores estão ainda por identificar. A Amnnistia Internacional sublinha que vestiam uniformes iguais aos do exercito moçambicano. E o Governo de Maputo fala em rebeldes que usam fardas das forças armadas para confundir as autoridades.

As imagens podem impressionar os mais sensíveis.

Segundo a organização não-governamental (ONG) dedicada à defesa dos direitos humanos, "a execução, que foi capturada por um vídeo não verificado, mas que se tornou viral nas redes sociais, surge num contexto de acusações de abusos por parte dos soldados do Governo na província nortenha de Cabo Delgado, onde estão a combater um grupo armado islâmico".

A reação da HRW junta-se à de outras instituições internacionais que têm condenado o incidente, incluindo a Comissão Europeia, que considerou "extremamente chocante" o recente relatório da Amnistia Internacional (AI) sobre violações de direitos humanos no norte de Moçambique e reclamou uma investigação "transparente e efetiva", incluindo às alegações que envolvem membros das forças de segurança.

Durante um debate sobre a situação no norte de Moçambique, realizado na sessão plenária do Parlamento Europeu que decorre em Bruxelas, a comissária europeia responsável pelas Parcerias Internacionais, Jutta Urpilainen, que representou o executivo comunitário, iniciou a sua intervenção admitindo que "o norte de Moçambique enfrenta uma nova ameaça, um surto de violência armada, com uma dimensão regional perigosa".

Já os eurodeputados portugueses deixaram críticas ao silêncio da União Europeia. E pediram maior apoio à população moçambicana.

Há provas documentais que "mostram tentativas de decapitação, tortura e outros maus-tratos"

De acordo com o relatório da AI, há provas documentais - vídeos e fotos - que "mostram tentativas de decapitação, tortura e outros maus-tratos de detidos, o desmembramento de alegados combatentes da oposição, possíveis execuções extrajudiciais e o transporte de um grande número de cadáveres até valas comuns".

O ministro da Defesa moçambicano negou na quarta-feira que os alegados militares que aparecem a executar a tiro uma mulher sejam das Forças Armadas de Moçambique e refutou acusações de abusos no combate aos grupos armados no norte do país.

Entretanto, também na quarta-feira, o embaixador da UE em Moçambique, António Sánchez-Benedito Gaspar, anunciou no final de uma reunião em Maputo dedicada ao papel da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) de Moçambique que a União Europeia quer definir até final do ano uma estratégia de apoio reforçado a Cabo Delgado, o "diálogo político" aberto a que a comissária se referiu no debate no hemiciclo de Bruxelas.

Província de Cabo Delgado alvo de ataques por grupos armados, alguns reivindicados pelo Estado Islâmico

A província de Cabo Delgado é há três anos alvo de ataques por grupos armados, alguns reivindicados pelo grupo 'jihadista' Estado Islâmico, mas cuja origem permanece em debate, provocando uma crise humana com mais de mil mortes e 250.000 deslocados internos.

Estima-se que 374.000 pessoas tenham sido ainda afetadas em 2019 e no início de 2020 por intempéries e inundações, com destaque para o ciclone Kenneth, em abril do último ano, que provocou 45 mortos e arrasou diversas povoações, deitando por terra inúmeras infraestruturas públicas, como escolas e unidades de saúde.

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