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Representante dos EUA inicia visita a Taiwan que já levou a aviso da China

Tyrone Siu

Deslocação do secretário-adjunto tem como objetivo participar numa cerimónia fúnebre.

O secretário-adjunto para o Crescimento Económico, Energia e Ambiente dos Estados Unidos (EUA), Keith Krach, deverá iniciar esta quinta-feira uma visita de três dias a Taiwan que já levou a um aviso da China.

De acordo com a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano Morgan Ortagus, a deslocação do secretário-adjunto tem como objetivo participar numa cerimónia fúnebre, no sábado, em homenagem ao antigo Presidente de Taiwan Lee Teng-hui, que morreu em julho, e ficou conhecido como "o pai da democracia" na ilha.

Antes, Krach deverá encontrar-se com a Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, informou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros da ilha.

O representante dos EUA é o mais alto funcionário do Departamento de Estado a visitar a ilha nas últimas décadas.

A deslocação segue-se à visita em agosto do secretário da Saúde dos EUA, Alex Azar, então o primeiro membro do Governo a visitar Taiwan em seis anos, e já foi condenada pela China, que considera a ilha como parte do seu território.

Na segunda-feira, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Wenbin, exortou os Estados Unidos a "parar todas as formas de intercâmbio oficial com Taiwan, de modo a evitar danos graves nas relações China-EUA e na paz e estabilidade no estreito de Taiwan".

China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo Governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas.

Taiwan, formalmente chamada República da China, tornou-se, entretanto, numa democracia com uma forte sociedade civil, mas Pequim considera a ilha parte do seu território e ameaça a reunificação pela força.

Como consequência da pressão chinesa, que critica qualquer relação oficial entre países estrangeiros e Taipé, menos de duas dezenas de países mantêm relações diplomáticas com Taiwan.

Os Estados Unidos são o maior apoiante militar da ilha contra as ameaças chinesas, defendendo a participação de Taiwan em reuniões de organizações internacionais.

Por insistência da China, Taiwan foi barrada da ONU e da Organização Mundial de Saúde (OMS) e perdeu o estatuto de observadora na Assembleia Mundial da Saúde, que se realiza anualmente.

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