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Ministro da Educação do Brasil diz que homossexuais vêm de famílias desajustadas

Twitter Milton Ribeiro

Parlamentares brasileiros pedem que o governante seja investigado por homofobia.

O ministro da Educação brasileiro disse esta quinta-feira, em entrevista ao jornal Estadão, que os jovens homossexuais, em alguns casos, vêm de "famílias desajustadas", e referiu-se à homossexualidade como "homossexualismo", termo considerado preconceituoso no país por indicar doença.

Na entrevista ao jornal brasileiro, o ministro Milton Ribeiro abordou o estado da Educação atual, em relação à pandemia de covid-19, e falou sobre as aulas de educação sexual no país.

"Acho que o adolescente que muitas vezes opta por andar no caminho do 'homossexualismo' tem um contexto familiar muito próximo, basta fazer uma pesquisa. São famílias desajustadas, algumas. Falta atenção do pai, da mãe. Vejo meninos de 12, 13 anos a optarem por serem 'gays'. Nunca estiveram com uma mulher de facto, com um homem de facto e caminham por aí. São questões de valores e princípios", disse o ministro.

"Homossexualismo é um termo considerado preconceituoso, por remeter para uma doença, devido ao sufixo "ismo". O termo correto para a orientação sexual é homossexualidade. Há 30 anos, a Organização Mundial da Saúde retirou a homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde.

As declarações de Milton Ribeiro, que assumiu a tutela da Educação em julho deste ano, geraram controvérsia e levaram parlamentares a pedir que o governante seja investigado por homofobia.

"Estou a entrar com uma representação no Supremo Tribunal Federal (STF), para que determine ao procurador-geral da República que investigue o ministro da Educação por crime de homofobia. Um entendimento do STF já equiparou a homofobia ao crime de racismo", informou na rede social Twitter o senador Fabiano Contarato, do partido Rede Sustentabilidade.

"Um ministro da Educação homofóbico, que violenta criminosamente os princípios de respeito e a igualdade entre as pessoas consagrados na Constituição. O meu repúdio absoluto a esse ataque preconceituoso, medieval e sórdido, que exige reação imediata das instituições democráticas", acrescentou Contarato.

Também o deputado David Miranda, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), indicou que pretende acionar o Ministério Público Federal pelo mesmo motivo.

"Homossexualidade não é castigo nem crime. É uma forma de amar e se relacionar como qualquer outra! É requisito nesse Governo de 'desajustados' ser um criminoso homofóbico", advogou o deputado no Twitter.

"O discurso do atual Ministro da Educação fere os limites da liberdade de expressão e incentiva o ódio, o preconceito e a discriminação contra os homossexuais, suas famílias e toda a comunidade LGBTI+ [sigla para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgéneros e Intersexuais]. Homofobia é crime!", acrescentou David Miranda.

Milton Ribeiro, professor, pastor presbiteriano e militar da reserva do Exército, é o quarto ministro a liderar a tutela da Educação desde o início do mandato do atual executivo, que chegou ao poder em janeiro de 2019.

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    Despir a camisola aquando da celebração de um golo é proibido pelas leis de jogo. Penso que toda a gente sabe disso. Aliás, basta apenas que um qualquer jogador cubra a cabeça usando essa peça de equipamento para ser sancionado.

    Duarte Gomes