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Presidente alemão: Grupos de extrema-direita têm de ser combatidos "com mais firmeza"

Andreas Gebert

"Precisamos de as combater, ainda com mais firmeza do que até agora".

O Presidente alemão apelou este sábado para que se combata "com mais firmeza" os grupos de extrema direita no país, marcado pelo aumento da violência nesses círculos e pelo envio de mensagens neonazis na polícia.

"Os assassínios perpetrados por terroristas de extrema direita nas últimas décadas não foram fruto de desequilíbrios. Os seus autores foram integrados em redes de ódio e violência, ou foram estimulados a cometer esses atos", afirmou Frank-Walter Steinmeier, na cerimónia dos 40 anos do ataque mortal na Oktoberfest (festa da cerveja) em Munique.

"Precisamos de encontrar essas redes. Precisamos de as combater, ainda com mais firmeza do que até agora!", insistiu o presidente alemão.

A 26 de setembro de 1980, treze pessoas foram mortas durante a Oktoberfest pela explosão de uma bomba colocada num caixote de lixo e mais de 200 pessoas ficaram feridas.

Este é considerado o ataque de extrema direita mais mortal na Alemanha desde 1945.

A Alemanha foi recentemente abalada por vários atos violentos perpetrados por neonazis, incluindo a tentativa de ataque, há um ano, a uma sinagoga em Halle, que resultou em duas mortes e a morte de nove pessoas de de origem estrangeira em dois bares em Hanau em fevereiro, tendo o seu autor publicado um manifesto neonazi no qual defendia o extermínio da maior parte do Médio Oriente, Israel incluído, e do norte de África, bem como os alemães "impuros".

Steimeier referiu-se ainda ao recente caso revelado em grupos de discussão que espalham propaganda de extrema direita entre a polícia da Renânia do Norte-Vestfália.

"Já não é permitido fechar os olhos" a esse tipo de negócio, alertou.

"Todos os esforços possíveis devem ser feitos para desmascarar essas redes de extrema direita, onde quer que estejam", insistiu.