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Nagorno-Karabakh: Erevan considera prematuras negociações com Baku

Soldado arménio ferido nos combates com a forças armadas do Azerbaijão

Hakob Margaryan /PHOTOLURE

O primeiro-ministro arménio conidera prematuras as propostas de conversações com o Azerbaijão, sob a égide da Rússia.

O primeiro-ministro arménio, Nikol Pachinian, disse hoje que são prematuras as propostas de conversações com o Azerbaijão, sob a égide da Rússia, sobre os combates na região do Nagorno-Karabakh que se prolongam desde domingo.

"É inapropriado falar-se de uma cimeira entre a Arménia, Azerbaijão e Rússia numa altura em que intensos combates estão em curso", disse Pachinian à imprensa russa, acrescentando que para haver negociações "tem de existir uma atmosfera e condições adequadas".

O primeiro-ministro do Governo de Erevan disse ainda que a Arménia e as forças da região do Nagorno-Karabakh não estão dispostas a resolver o conflito contrariando os "interesses nacionais e questões de segurança".

ONG pede respeito pela "proibição absoluta" de envolver civis no conflito

A organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch exortou hoje as fações envolvidas no conflito de Nagorno-Karabakh a "respeitar a proibição absoluta" de colocar em risco ou "perpetrar ataques que prejudiquem indiscriminadamente" a população civil.

"Todas as forças armadas a combater por Nagorno-Karabakh têm de distinguir em todas as alturas entre combatentes e civis sob a lei humanitária internacional", explicita o comunicado divulgado na página na internet desta ONG.

A Human Rights Watch acrescentou que "todas a partes" envolvidas "devem respeitar a proibição absoluta" de envolver os civis no conflito, ou de "perpetrar ataque que indiscriminadamente prejudiquem civis".

A ONG dá também conta de que "há numerosos relatos de baixas militares e civis", no entanto, a organização diz que não há maneira de confirmar estas informações.

"O Azerbaijão relatou dez mortes civis e 30 civis feridos, mas não libertou quaisquer informações sobres baixas militares", explicita a Human Rights Watch.

Oficiais de Nagorno-Karabakh relataram que "pelo menos 80 militares e cinco civis morreram, e cerca de 30 civis" ficaram feridos.

Desde domingo que as forças do enclave separatista apoiadas pela Arménia, um país de religião cristã ortodoxa, e as do Azerbaijão se confrontam nos combates mais sangrentos desde 2016. Mais de 80 mortos foram já confirmados no ressurgimento do conflito.

No centro das deterioradas relações entre Erevan e Baku encontra-se a região do Nagorno-Karabakh.

Integrada em 1921 no Azerbaijão pelas autoridades soviéticas, a região proclamou unilateralmente a independência em 1991, com o apoio da Arménia.

Na sequência da uma guerra que provocou 30.000 mortos e centenas de milhares de refugiados, foi assinado um cessar-fogo em 1994 e aceite uma mediação russo-norte-americana-francesa designada Grupo de Minsk. No entanto, as escaramuças armadas permaneceram frequentes.

Em julho deste ano, os dois países envolveram-se em confrontos a uma escala mais reduzida que provocaram cerca de 20 mortos.

Os combates recentes mais significativos remontam a abril de 2016, com um balanço de 110 mortos.

O regresso do conflito armado a esta região separatista arménia do Nagorno-Karabakh está a suscitar receios sobre uma guerra em larga escala entre a Arménia e o Azerbaijão no Cáucaso do sul, onde Ancara e Moscovo disputam zonas de influência.