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Presidente de Nagorno-Karabakh parte para a frente de combate

Arayik Harutyunyan, presidente da autoproclamada República de Nagorno-Karabakh

Stringer / Reuters

Arayik Harutyunyan quer defender a autoproclamada República.

O Presidente do enclave separatista de Nagorno-Karabakh, Arayik Harutyunyan, partiu hoje para a fronteira com o Azerbaijão, onde há uma semana ocorrem confrontos, com o objetivo de defender a autoproclamada República.

"Vou para a frente junto com as unidades especiais para participar na luta, já que agora sou mais necessário na frente do que na retaguarda", anunciou, citado pelo portal de notícias arménio Mediamax.

O Presidente, eleito em abril deste ano com amplo apoio dos eleitores (pouco menos de 90%), disse que "ao longo de toda a linha de separação entre Artsakh (nome arménio do enclave separatista) e o Azerbaijão, há intensos confrontos".

"A nação e a Pátria estão em perigo, o nosso direito à independência está em perigo, a uma vida digna na terra que libertamos ao preço do nosso sangue", acrescentou.

Harutyunyan, que lutou na primeira guerra entre a Arménia e o Azerbaijão há três décadas, apelou ao "direito inalienável" de viver na que considera ser a sua pátria.

Pela manhã, o porta-voz do Ministério da Defesa da Arménia, Shushan Stepanian, informou que as forças do Azerbaijão iniciaram uma grande ofensiva.

"O exército da Arménia interrompeu o avanço do inimigo e causou um grande número de baixas", anunciou o porta voz na sua conta na rede social Twitter.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Azerbaijão, por seu lado, acusou a Arménia de impor à comunidade internacional a falsa ideia de que "a suposta população arménia da região azerbaijana de Nagorno Karabakh está a lutar pela sua autodeterminação e que a Arménia não é parte no conflito" e apenas defende pessoas locais.

"Os acontecimentos dos últimos dias na zona de conflito mostraram claramente que o regime ilegal criado pela Arménia nos territórios ocupados é um regime fantoche, criado com base no racismo e na discriminação étnica", disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Azerbaijão num comunicado.

Durante a madrugada e manhã de hoje, as forças do Azerbaijão "abortaram a atividade do inimigo" em vários pontos ao longo da linha de separação, de acordo com o Ministério da Defesa do Azerbaijão.

"A situação na frente continua tensa. Ao longo da noite a atividade do inimigo foi abortada em diferentes direções da frente. Os combates sangrentos continuam por toda a frente", afirmou o Ministério.

O Ministério da Defesa publicou no seu portal na internet um vídeo a mostrar a destruição de um camião, vários tanques de guerra e um lançador de mísseis.

No centro das deterioradas relações entre Erevan e Baku encontra-se a região do Nagorno-Karabakh, no Cáucaso do Sul onde há interesses divergentes de diversas potências, em particular da Turquia, da Rússia, do Irão e de países ocidentais.

Este território, de maioria arménia, integrado em 1921 no Azerbaijão pelas autoridades soviéticas, proclamou unilateralmente a independência em 1991, com o apoio da Arménia.

Na sequência da uma guerra que provocou 30.000 mortos e centenas de milhares de refugiados, foi assinado um cessar-fogo em 1994 e aceite a mediação do Grupo de Minsk, constituído no seio da OSCE, mas as escaramuças armadas permaneceram frequentes.

Em julho deste ano, os dois países envolveram-se em confrontos a uma escala mais reduzida que provocaram cerca de 20 mortos. Os combates recentes mais significativos remontam abril de 2016, com um balanço de 110 mortos.