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Cérebro dos cães não está preparado para reagir ao rosto humano

O criador de cães da raça Husky interage com alguns dos seus cães em casa, na cidade inglesa de Tonbridge.

Peter Nicholls

Investigadores analisaram a resposta cerebral de 20 cães através de ressonâncias magnéticas.

Muitos donos de cães garantem que os seus animais conseguem ler as emoções e perceber o que estão a sentir. Mas um estudo, publicado esta segunda-feira no Journal of Neuroscience, garante que esta espécie não apresenta resposta cerebral ao rosto humano.

Uma equipa que junta investigadores da Universidade de Eötvös, na Hungria, e da Universidade Nacional Autónoma do México analisou a resposta cerebral de 20 cães perante várias sequências de imagens de rostos humanos, de focinhos caninos e de cabeças vistas de costas (sem o rosto visível). Os animais foram colocados em aparelhos de ressonância magnética enquanto assistiam aos pequenos vídeos.

Com este teste, os investigadores descobriram que os cérebros caninos não apresentam nenhuma área capaz de distinguir fotografias do rosto das imagens da nuca e que o principal objetivo dos animais é identificar qual a espécie que está perante eles. Para isso, utilizam diferentes fatores – como o cheiro ou os movimentos corporais –, explica a coautora do estudo Atila Andoics, da Universidade de Eötvös.

Estes dados foram comparados com os resultados apresentados por 30 voluntários humanos, que foram submetidos ao mesmo teste. Ao contrário dos cães, os seres humanos apresentaram uma forte reação cerebral quando estão perante as imagens de rostos.

“Nos cães, para o reconhecimento de parentesco e seleção de parceiro, as pistas faciais não são mais importantes que as pistas não-faciais e corporais, acústicas ou sinais químicos”, explica a investigadora à CNN.

No entanto, a coautora do estudo acredita que, mesmo sem haver uma zona neurológica especial para processar a cara, os cães “conseguem reconhecer os seus donos pela face” e desenvolveram também a capacidade de manter o contacto visual. Os investigadores acreditam que estes processos terão surgido devido ao contacto próximo com o ser humano.

“Durante a domesticação, os cães adaptaram-se ao ambiente social dos humanos e vivendo com humanos eles aprenderam rapidamente que ler as pistas faciais faz sentido, assim como os humanos aprenderam a prestar atenção a pequenos detalhes de, por exemplo, um telefone, sem terem uma área especializada nos seus cérebros para o telefone”, sublinha Andoics.

Os investigadores pretendem continuar a estudar a forma como os cérebros caninos e os cérebros humanos processam as diferentes partes do corpo, assim como as outras espécies e os objetos do dia-a-dia.