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Mãe e filho devastados após descobrirem que pai era espião infiltrado

Ex-mulher pensou em suicidar-se depois de descobrir que o companheiro foragido era um espião da polícia britânica.

Depois de 26 anos a pensar que o pai era um ativista de esquerda que tinha fugido devido a pressões políticas, a família descobriu que afinal ele era um espião a cargo da polícia. O choque causou danos psicológicos ao seu filho e à ex-companheira quando souberam da história complexa.

Chamava-se Bob Lambert e tinha como alter ego Bob Robinson, um ativista cabeludo. Foi um dos polícias enviados para se infiltrar em grupos políticos como parte de uma operação secreta que durou quatro décadas e que foi revelada pelo jornal Guardian há uns anos. Sabe-se que, pelo menos, mais dois espiões tiveram filhos com ativistas que conheceram enquanto estavam disfarçados.

Ao filho de Lambert - cuja identidade ficou por revelar - e à mãe Jacqui, a Scotland Yard pagou uma indemnização "substancial", segundo o Guardian, e já pediu desculpa pelos danos psicológicos causados. De acordo com o jornal, Jacqui pensou suicidar-se e teve de receber tratamento psquiátrico depois de descobrir, através de uma investigação, que o pai do filho era um espião, duas décadas depois do seu desaparecimento.

Há um inquérito público em andamento - bastante atrasado - que foi anunciado em 2014 por Theresa May, na altura ministra do Interior do Reino Unido, e que deverá começar a ouvir testemunhas a 2 de novembro.

Como método, os polícias infiltrados adotavam nomes de crianças mortas para dar credibilidade às histórias que levavam para o terreno. O papel secreto de Lambert começou em 1984, quando foi infiltrado em grupos de esquerda, utilizando a identidade de um menino de sete anos que tinha morrido com um problema cardíaco em 1959.

Para manter a credibilidade, formou família com Jacqui que, na época, era uma defensora dos direitos dos animais de 22 anos. Segundo a mulher, ele parecia um homem apaixonado pelo seu filho e sempre mostrou ser um pai dedicado, até partir quando o filho tinha apenas dois anos. Como justificação disse a Jacqui e a outros membros do grupo que a polícia estava prestes a prendê-lo e que, por isso, tinha de fugir para Espanha.

Na realidade, Lambert retomou o trabalho na polícia de Londres, assumindo um cargo superior na década de 90.