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Polícia indonésia detém 300 manifestantes no segundo dia de protestos

IQBAL KUSUMADIREZZA

Manifestação contra uma controversa reforma das leis laborais levou às ruas milhares de pessoas.

A polícia indonésia deteve na quarta-feira cerca de 300 manifestantes, na segunda jornada de protestos contra uma controversa reforma das leis laborais que levou às ruas milhares de pessoas.

Entre 50 e 100 pessoas foram detidas em Semarang, durante uma manifestação frente à sede do órgão legislativo regional da província de Java Central.

As autoridades utilizaram gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar a multidão, que atirou pedras e garrafas à polícia.

Em Palembang, na ilha de Sumatra, mais de 180 manifestantes foram detidos pelas forças de segurança, que apreenderam facas e bombas incendiárias.

Em Bandung, os manifestantes atiraram uma bomba de petróleo para o cordão de segurança da polícia.

As manifestações começaram na terça-feira em todo o arquipélago e deviam prolongar-se até hoje.

Vários sindicatos apelaram aos protestos contra um pacote de leis aprovadas na segunda-feira pelo Parlamento indonésio, que reviu cerca de 70 leis e regulamentos, com o objetivo, segundo o governo, de criar empregos e atrair investidores.

Durante um discurso antes da votação, o ministro da Coordenação para os Assuntos Económicos indonésio, Airlangga Hartarto, defendeu que a reforma era necessária para facilitar o investimento estrangeiro.

No entanto, os críticos da reforma salientaram que os trabalhadores vão perder direitos ao abrigo das novas leis, incluindo o salário mínimo e, em alguns casos, o subsídio de desemprego, denunciando igualmente a flexibilização de regulamentos que podem prejudicar o ambiente.

A Federação Nacional dos Sindicatos (KSPN, na sigla original) anunciou na terça-feira que criou uma equipa especial para estudar o polémico pacote de leis, com a intenção de recorrer ao Tribunal Constitucional para contestar os artigos que violem a Carta Magna indonésia e os direitos dos trabalhadores.

A Indonésia é o quarto país mais populoso do mundo e a décima sexta maior economia mundial, mas está atrás de outros países do Sudeste Asiático, como o Vietname ou a Tailândia, em termos de investimento estrangeiro.

Este ano, o país espera uma contração do produto interno bruto (PIB) entre 0,6 e 1,7%, em resultado das medidas impostas para combater a pandemia de covid-19, na que é a primeira recessão que a Indonésia sofre desde a crise financeira do Sudeste Asiático em 1997-98.