Mundo

Mulher de 89 anos condenada pelo assassínio da melhor amiga

(Arquivo)

Jean-Francois Badias

Autora do homicídio foi condenada a 10 anos de prisão.

A Justiça belga condenou hoje uma mulher de 89 anos a 10 anos de prisão pelo assassínio à facada da sua melhor amiga, de 93 anos, que a tinha designado legatária de grande parte da sua fortuna.

Clara Maes, que tinha 84 anos na altura dos factos, sempre negou o homicídio, durante o inquérito e durante o julgamento que decorreu esta semana num tribunal de Arlon, no sul francófono da Bélgica.

Considerada culpada por um tribunal de júri, foi condenada a 10 anos de prisão, mas não foi presa após o anúncio do veredicto.

"O seu estado de saúde não permite a detenção num estabelecimento prisional", declarou a sua advogada, Emilie Romani, contactada pela agência France Presse.

Cabe à procuradoria de Liège fazer cumprir a sentença, mas "'a priori' não deve haver execução da sentença", adiantou a advogada, precisando que a sua cliente tinha regressado ao lar onde vive.

O julgamento de Clara Maes chamou a atenção devido à idade da arguida, de mobilidade reduzida e quase sempre calada, a não ser quando repetia a resposta "não me lembro".

O crime ocorreu a 3 de janeiro de 2015. O corpo da vítima, Suzanne Thibeau, foi encontrado na casa onde vivia ao início da tarde por um casal amigo.

A investigação revelou que tinha recebido de manhã a visita da sua velha amiga Clara, a última pessoa a vê-la com vida. Ela tornou-se a principal suspeita do crime devido à inexistência de indícios de entrada forçada na casa e a inconsistências nas suas explicações, nomeadamente sobre uma troca de roupa durante o dia do crime.

Foram ainda encontrados vestígios de ADN da vítima no veículo da arguida, que se teria sujado com sangue, segundo a investigação.

Testemunhas explicaram que a relação entre as duas amigas se teria degradado e, segundo um advogado das partes civis, Marc Kauten, "Suzanne certamente disse a Clara que ia mudar o testamento".

Viúva e sem filhos, Suzanne tinha designado Clara como legatária de 70% do seu património. A acusada já tinha recebido um donativo de cerca de 300.000 euros da vítima, conforme um documento notarial de setembro de 2014.