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Alemanha pede à Turquia que ponha fim a "provocação" no Mediterrâneo

O navio turco de exploração sísmica Oruc Reis navega no Bósforo em Istambul, Turquia, 21 de novembro de 2018.

TOLGA BOZOGLU / EPA

Ancara enviou um navio de exploração de gás natural que pode reacender um conflito com a Grécia.

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão pediu hoje à Turquia que ponha fim à "provocação" no Mediterrâneo oriental, para onde Ancara enviou um navio de exploração de gás natural que pode reacender um conflito com a Grécia.

"Se de facto houvesse novas explorações de gás turco nas zonas marítimas mais controversas do Mediterrâneo oriental, isto seria um grande revés para os esforços de pacificação", acrescentou em comunicado o chefe da diplomacia alemã, Heiko Maas, que visita hoje a Grécia e o Chipre para discutir estas tensões.

A Alemanha, que assume atualmente a presidência rotativa da União Europeia, exortou ainda a Turquia "a não fechar a janela de diálogo que acaba de ser aberta com a Grécia, por causa de medidas unilaterais".

Atenas condenou na segunda-feira o envio do navio de exploração turco Oruç Reis para o Mediterrâneo Oriental, considerando tratar-se de uma ameaça à paz e à segurança na região.

Já na segunda-feira o Governo francês se declarara "preocupado" com o envio pela Turquia de um navio de exploração para o Mediterrâneo oriental, zona no centro de forte tensão entre Ancara e a União Europeia, em particular a Grécia e o Chipre.

A Turquia anunciou na segunda-feira o envio do navio Oruç Reis, que deverá ficar ao largo das ilhas gregas até 20 de outubro para procurar gás natural. Uma situação semelhante causou forte tensão diplomática e militar em agosto e setembro.

Numa cimeira recente, a UE ameaçou Ancara com sanções se a Turquia não acabasse com as atividades de exploração energética nas águas reivindicadas por Chipre e pela Grécia.

A descoberta de grandes jazidas de gás natural nos últimos 10 anos junto às costas da ilha dividida de Chipre abriu novas perspetivas sobre o fornecimento de energia a partir desta região.

A Turquia, potência regional, foi excluída dos contratos de exploração dos recursos energéticos, reivindicados por oito países, da Líbia ao Egito e Israel.

O conflito com a Turquia envolve diretamente dois Estados-membros da UE, a Grécia e a República de Chipre, a parte sul da ilha dividida e reconhecida internacionalmente.

Chipre está dividida há quase 50 anos, na sequência da intervenção militar da Turquia em 1974, e a autoproclamada República Turca de Chipre do Norte (RTCN), que ocupa o terço norte da ilha, só é reconhecida por Ancara.

A Turquia assume o estatuto de protetor da população cipriota turca e considera que esta deve também partilhar os eventuais benefícios provenientes das jazidas de gás detetadas ao largo da ilha.

A iniciativa da Turquia, país que integra a Aliança Atlântica, tem vindo a aumentar as tensões políticas entre Ancara e a União Europeia, nos últimos meses, porque Atenas considera a presença dos navios turcos na região uma ameaça à integridade territorial do país.