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Secretário de Estado norte-americano defende detidos na China que incluem luso-chinês

Mark Schiefelbein

Mike Pompeo diz que não cometeram "nenhum crime" quando tentavam chegar a Taiwan.

O secretário de Estado norte-americano defendeu hoje os 12 residentes em Hong Kong detidos desde agosto na China, que incluem um luso-chinês, afirmando que não cometeram "nenhum crime" quando tentavam chegar a Taiwan.

"Eles simplesmente acreditam que são dignos da liberdade e dos direitos inalienáveis devidos a cada pessoa", disse MIke Pompeo, durante a cerimónia do Prémio John S. McCain para a Liberdade, que se realizou de forma virtual. "Eles não estão sozinhos nessa convicção. A América está com eles", acrescentou.

O grupo, que inclui o estudante universitário Tsz Lun Kok, detentor de passaporte português e chinês, tinha iniciado a viagem com destino a Taiwan, onde se pensa que procuravam asilo, quando a lancha em que seguiam foi intercetada, em 23 de agosto, pela guarda costeira chinesa.

Os 12, a maioria ligados aos protestos anti-governamentais do ano passado, em Hong Kong, está detido há quase dois meses em Shenzhen, cidade chinesa adjacente a Hong Kong, por "travessia ilegal" das águas continentais. Dois detidos são ainda suspeitos de organizar a passagem ilegal da fronteira.

A polícia de Hong Kong deteve além disso, em 10 de outubro, vários membros de um grupo de contrabando local, sob suspeita de terem ajudado o grupo na fuga para Taiwan, de acordo com a imprensa da região semiautónoma.

Segundo familiares dos detidos, desde a detenção nenhum dos ativistas pôde contactar a família nem ter acesso a advogados mandatados pelos seus familiares, denunciando igualmente a nomeação de advogados oficiosos pelo Governo chinês.

Esta não é a primeira vez que Pompeo se manifesta sobre o caso, que está a agravar as tensões entre os Estados Unidos e a China.

Em 11 de setembro, o secretário de Estado norte-americano afirmou que os Estados Unidos estão "profundamente preocupados" com os obstáculos enfrentados pelos advogados dos detidos, a falta de informações sobre o seu estado de saúde e as acusações que enfrentam, instando as autoridades a garantir um processo justo.

Luso-chinês detido em 2019

O jovem de nacionalidade portuguesa tinha já sido detido em 18 de novembro em Hong Kong, e mais tarde libertado, durante o cerco da polícia à Universidade Politécnica daquele território, sendo acusado de motim, por ter participado alegadamente numa manobra para desviar as atenções das forças de segurança com o objetivo de permitir a fuga de estudantes refugiados no interior.

O grupo inclui ainda o ativista pró-democracia Andy Li, de 29 anos, anteriormente detido na região ao abrigo da nova lei de segurança nacional, aprovada pelo regime chinês, no final de junho.

O diploma imposto por Pequim à antiga colónia britânica pune atividades subversivas, secessão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras com penas que podem ir até à prisão perpétua, e levou vários ativistas pró-democracia a refugiar-se no Reino Unido e Taiwan.

A líder de Hong Kong Carrie Lam afirmou repetidamente que os 12 detidos têm de enfrentar a lei na China continental, uma vez que foram presos por delitos aí cometidos.

Embora Hong Kong faça parte da China, tem um sistema judicial e de imigração distinto do continente, com controlos fronteiriços separados.