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O glaciar artificial que “rega” um deserto

Objetivo para o futuro é construir hotéis e bares no seu interior.

Uma terra de extremos, é assim que os habitantes de Ladaque, na Índia, descrevem a região onde dizem que alguém sentado ao sol com as pernas à sombra pode sofrer, ao mesmo tempo, com insolação e queimaduras por frio. Neste deserto é raro chover e os termómetros tanto podem registar temperaturas tórridas como geladas.

Sem chuva, a água – essencial para a irrigação das terras que são o ganha-pão dos habitantes locais – é gerada sobretudo pelo derretimento de gelo e neve. Mas as alterações climáticas estão a tornar a região cada vez mais seca.

A solução? Construir glaciares

Em 2014, um engenheiro dedicou-se a resolver a crise provocada pela falta de água em Ladaque. A solução passou por recolher a água libertada dos glaciares durante o inverno, altura em que não é utilizada pelos agricultores, e guardá-la até à primavera, quando é necessária.

Para isso, lançou-se à construção de um protótipo de um cone de gelo com dois andares de altura que se erve de um cano instalado no subsolo para transportar água para o local. Quando o líquido contacta com o ar exterior, as baixas temperaturas são suficientes para que congele e vá formando o “glaciar” artificial.

Quanto custa?

O inventor, Sonam Wangchuk, contou à CNN em 2017 que precisaria de 125 mil dólares (cerca de 105 mil euros) para construir um modelo em “tamanho real”, com cerca de 25 metros de altura e capacidade para irrigar 10 hectares de solo.

O montante foi, entretanto, reunido através de uma campanha de “crowdfunding” e o objetivo para o futuro é tornar estes cones de gelo em atrações turísticas, construindo hotéis e bares no seu interior.