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China avisa Canadá para não conceder asilo a manifestantes de Hong Kong

Embaixador chinês classifica os manifestantes pró-democracia em Hong Kong como "criminosos violentos".

O embaixador da China no Canadá alertou hoje o governo de Justin Trudeau para não conceder asilo a residentes de Hong Kong que fogem da lei de segurança nacional, imposta por Pequim na região semiautónoma.

O embaixador Cong Peiwu classificou os manifestantes pró-democracia em Hong Kong como "criminosos violentos" e disse que conceder-lhes asilo equivale a uma interferência nos assuntos internos da China.

Os protestos na antiga colónia britânica contra os governos de Hong Kong e da China continental escalaram, no ano passado, marcados por confrontos frequentes entre manifestantes e a polícia e cenas de vandalismo.

Pequim impôs, em 30 de junho, uma nova lei de segurança nacional no território que visa punir atividades subversivas, separatistas e terroristas, além do "conluio com potências estrangeiras" para interferir nos assuntos internos da cidade.

Vários países acusam a China de infringir as liberdades e autonomia garantidas ao território por altura da transferência da soberania do Reino Unido para a China, em 1997.

"Se o lado canadiano realmente se preocupa com a estabilidade e a prosperidade em Hong Kong, e realmente se preocupa com o estado e a segurança dos 300.000 titulares de passaportes canadianos em Hong Kong e do grande número de empresas canadianas que operam na Região Administrativa Especial de Hong Kong, deve apoiar esses esforços para combater crimes violentos", disse Cong.

Cherie Wong, diretora executiva da Alliance Canada Hong Kong, disse que o comentário de Cong é uma "ameaça direta" a todos os canadianos.

"As suas ações são a razão pelo qual muitos residentes de Hong Kong estão a requerer asilo no Canadá, porque deixaram de se sentir seguros em Hong Kong [e de acreditar] que os seus direitos humanos serão protegidos sob a nova Lei de Segurança Nacional", reagiu, em comunicado.

O embaixador chinês também rejeitou categoricamente a afirmação do primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, de que a China está a praticar diplomacia coerciva, ao prender dois canadianos, em retaliação pela prisão de uma executiva chinesa do grupo Huawei, com base num mandado de extradição emitido pelos Estados Unidos.

Meng Wanzhou vive em prisão domiciliar, em Vancouver.

Em dezembro de 2018, a China prendeu dois canadianos, Michael Kovrig e Michael Spavor, acusando-os de porem em perigo a segurança nacional.