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Neonazi confessa intenção de bombardear sinagoga nos Estados Unidos

Reuters

Tinha intenção de bombardear uma sinagoga no Colorado em 2019.

Um homem descrito pela acusação norte-americana como neonazi e supremacista branco confessou-se na quinta-feira culpado de um crime de ódio, por conspirar para bombardear uma sinagoga no Colorado em 2019.

Richard Holzer, de 28 anos, confessou-se culpado de tentar impedir as pessoas de exercerem a sua religião, através do uso de explosivos ou fogo, e de tentar destruir um prédio usado no comércio interestadual, após um acordo judicial com os procuradores, noticia a agência AP.

Embora cada um dos crimes acarrete uma pena máxima até 20 anos de prisão, os procuradores comprometeram-se a não pedir, perante um juiz, uma pena superior a 20 anos, quando Richard Holzer for julgado, a 21 de janeiro.

Holzer foi detido em 01 de novembro de 2019, após ter recebido bombas e dinamite falsas por parte de agentes secretos do FBI, com quem tinha realizado um encontro.

Um agente, que se fez passar por um supremacista branco, entrou em contacto com o suspeito após ter visto as publicações de Holzer nas redes sociais, onde promovia a supremacia branca e a violência, segundo refere o acordo com os factos, celebrado por ambas as partes, como parte do acordo judicial.

O agora autor confesso dos crimes aceitou os explosivos falsos horas antes de planear utilizá-los na sinagoga Temple Emanuel de Pueblo, e a exibir uma braçadeira nazi e na posse de uma cópia do livro 'Mein Kampf', acrescenta o acordo judicial.

Após a sua detenção, Holzer referiu à polícia que não planeava causar ferimentos e que apenas queria bombardear a sinagoga durante a noite, mas reconheceu que teria prosseguido com o seu plano mesmo se o prédio tivesse sido ocupado, porque qualquer um [atingido] seria judeu, pode ler-se ainda.

O Templo Emanuel é a segunda sinagoga mais antiga do Colorado e foi construído em 1900 em grande parte por descendentes de imigrantes da Europa Central e do Leste.

O procurador do Colorado, Jason Dunn, classificou os esforços para aplicar a lei como "o trabalho mais importante" para proteger as comunidades "parando um ataque antes que ele ocorresse".

O diretor da organização não-governamental Liga Antidifamação, Scott Levin, sublinhou que a confissão de culpa de Holzer é uma lembrança de que os crimes de ódio não são tolerados no Estado.

"Os crimes de ódio prejudicam o tecido social da nossa sociedade e fragmentam as comunidades. É fundamental que aqueles que procuram prejudicar os outros por causa de sua religião, raça, nacionalidade, orientação sexual ou qualquer outra característica definidora, sejam responsabilizados pelos seus crimes", vincou.

Segundo aquela ONG, o número de incidentes antissemitas relatados no Colorado aumentou 56% entre 2018 e 2019.