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Ataque em Viena terá tido apenas um agressor

Radovan Stoklasa

Vários países condenaram o ataque à capital austríaca.

O ministro do Interior da Áustria, Karl Nehammer, disse esta terça-feira que "não há indícios de um segundo agressor", depois de o autor do ataque que provocou quatro vítimas mortais no centro de Viena ter sido abatido na noite passada.

"Depois de avaliar os vídeos que nos fizeram chegar, não há indícios da existência de um segundo agressor", afirmou Nehammer, embora não tenha descartado completamente a possibilidade.

As autoridades ainda estão a tentar determinar se outros atacantes podem estar em fuga, tendo sido pedido aos moradores de Viena que se mantenham em casa durante esta terça-feira, incluindo crianças em idade escolar.

Cerca de 1.000 polícias estão de plantão na cidade desde a manhã.

Pelo menos cinco pessoas, incluindo o agressor, morreram na segunda-feira à noite num tiroteio no centro de Viena, cometido por "um simpatizante" do Estado Islâmico, que deixou também 22 pessoas feridas.

A polícia deteve, nas últimas horas, 14 pessoas relacionadas com o agressor.

As vítimas mortais do ataque, dois homens e duas mulheres, sucumbiram aos ferimentos, disse o chanceler Sebastian Kurz, acrescentando que um polícia que tentou parar o agressor foi baleado e está entre os feridos hospitalizados.

O serviço hospitalar de Viena adiantou que sete das pessoas que recebeu na sequência do ataque correm risco de vida.

"O ataque de ontem [segunda-feira] foi claramente um ataque terrorista islâmico", disse Kurz.

"Foi um ataque de ódio. Ódio pelos nossos valores fundamentais, ódio pelo nosso modo de vida, ódio pela nossa democracia, na qual todas as pessoas têm direitos iguais e dignidade", referiu.

O agressor, identificado como Kujtim Fejzulai, já tinha cadastro, já que foi condenado a 22 meses de prisão, em abril de 2019, por ter viajado para a Síria para se juntar ao grupo Estado Islâmico. No entanto, acabou por ser libertado antecipadamente em dezembro, beneficiado pela lei de proteção de jovens.

Nehammer contou à agência de notícias austríaca APA que Fejzulai publicou uma foto na sua conta do Instagram momentos antes do ataque, na qual se mostra com duas das armas que terá usado.

"(O suspeito) foi equipado com um colete explosivo falso e um espingarda automática, uma pistola e uma faca grande para realizar este repugnante ataque a cidadãos inocentes", acusou Nehammer.

Governo declara três dias de luto nacional

O tiroteio começou pouco depois das 20:00 (19:00 em Lisboa) de segunda-feira, perto da sinagoga principal de Viena, numa altura em que muita gente estava na rua para desfrutar a última noite de restaurantes e bares abertos antes de um confinamento de um mês para combater os contágios de covid-19, que teve início à meia-noite.

"Vamos desenterrar e perseguir os perpetradores, aqueles que estiverem por trás deles e pessoas com ideias semelhantes, e dar-lhes o castigo que merecem", garantiu o chanceler austríaco.

"Vamos perseguir, por todos os meios disponíveis, todos aqueles que tenham alguma coisa a ver com este ultraje", acrescentou.

O Governo declarou três dias de luto oficial a partir desta segunda-feira, estando todos os edifícios públicos da Áustria com bandeiras a meia haste até quinta-feira.

Ao meio-dia local, o país fez um minuto de silêncio, acompanhado pelo badalar de sinos na capital e o chanceler e o Presidente, assim como outros políticos, colocaram coroas de flores e velas no local onde ocorreu o ataque.

Depois do ataque inicial - o primeiro em Viena em 35 anos -, na rua onde fica a sinagoga, os agressores deslocaram-se pelo centro da cidade, disparando sobre quem ocupava as esplanadas.

Milhares de pessoas permaneceram no interior da Ópera de Viena, ou em salas de concerto como o Konzerthaus ou o Musikverein, durante horas, até saírem sob escolta policial.

As autoridades montaram um enorme dispositivo de segurança para localizar o terrorista, com dezenas de agentes das forças especiais e especializadas em ações antiterroristas a participarem nos esforços, que incluiu controlo das fronteiras.

Este ataque surgiu dias depois de, na passada quinta-feira, três pessoas terem morrido num ataque com faca em Nice, no sudeste de França.

Nesse ataque, também classificado como terrorista, um homem e uma mulher foram mortos na basílica de Nossa Senhora da Assunção, em Nice, e uma terceira vítima, gravemente ferida, morreu num bar perto da igreja, onde se tinha refugiado.

Vários países condenam o ataque

O ataque em Viena, na Áustria, foi condenado por vários países, cujos representantes deixaram uma mensagem de apoio e solidariedade ao povo da Áustria.

Marcelo Rebelo de Sousa repudiou o ataque e enviou uma mensagem ao homólogo austríaco, onde expressou a solidariedade e pesar dos portugueses.

“Foi com choque e tristeza que tomei conhecimento do ataque que ontem teve lugar no centro de Viena e que provocou a morte de quatro pessoas e diversos feridos, entre estes últimos um jovem português”, escreveu o Presidente português reiterando o “repúdio por todos os atos de violência”.

Emmanuel Macron, presidente francês, dirigiu-se esta manhã à Embaixada da Áustria onde expresso as condolências à família das vítimas do ataque. Nos últimos dias a França tem sido também alvo de vários ataques terroristas. Para Macron, este é um ataque “não é nada inocente, mostra o desejo dos nossos inimigos de atacarem o que a Europa representa”, nomeadamente a liberdade, cultura, valores.

Angela Merkel, Chanceler alemã. afirmou que o terrorismo islâmico é um inimigo comum da Europa e que tem de ser combatido em conjunto. Vladimir Putin, líder russo, considerou o ataque como “um crime cruel e cínico”

Através do Twitter. Charles Michel, presidente do Conselho Europeu condena fortemente “este ato cobarde que viola a vida e os nossos valores humanos”.

E Donald Trump deixou palavras de apoio, em nome dos Estados Unidos, à “Áustria, França e toda a Europa que luta contra o terrorismo, incluindo o terrorismo islâmico radical”.