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Ataques em Viena. Novo balanço dá conta de quatro vítimas mortais

Ronald Zak/ AP

Uma série de disparos com armas automáticas abalaram a cidade austríaca esta segunda-feira.

Quatro pessoas morreram e 15 ficaram feridas numa série de ataques com armas automáticas na segunda-feira à noite em Viena, segundo um novo balanço das autoridades austríacas.

Um dos autores do ataque era "um simpatizante" do Daesh, anunciou hoje o ministro do Interior austríaco.


"É uma pessoa radicalizada que se sentia próxima do EI", disse Karl Nehammer, em conferência de imprensa, referindo-se a um dos autores do tiroteio, que morreu numa troca de tiros com a polícia, enquanto um agente ficou gravemente ferido. Pelo menos um segundo atacante fugiu.


A polícia, que fez buscas na casa onde vivia o atacante abatido pelas forças de segurança, não descarta a possibilidade de haver mais pessoas implicadas no crime.


"Não podemos excluir que haja mais agressores", apontou o responsável da Polícia de Viena, Gerhard Pürstl, durante a conferência de imprensa.

No balanço de mortes inclui-se um dos atacantes, abatido pela polícia. Pelo menos um segundo atacante fugiu.

A última vítima mortal é uma das mulheres hospitalizadas que não resistiu à gravidade dos ferimentos.

O ataque, o primeiro em Viena em 35 anos, começou com um tiroteio por volta das 20:00 (19:00 em Lisboa) numa rua central onde fica a sinagoga principal de Viena, então fechada, e muito próxima de uma área de bares muito frequentada.

"Estou feliz que os nossos polícias já tenham eliminado um dos autores. Nunca seremos intimidados pelo terrorismo e lutaremos contra esses ataques com todos os meios", disse o chanceler austríaco, Sebastian Kurz, que classificou os atos de "ataques terroristas nojentos".

"Não podemos dizer nada sobre o motivo ainda. Não podemos descartar um motivo antissemita, pelo lugar onde começou", disse Kurz, sem dar mais detalhes.

Os atacantes deslocaram-se depois pelo centro da cidade, disparando sobre quem ocupava as esplanadas.

"Estávamos a comer e a beber, quando ouvimos os tiros. No começo pensámos que fosse fogo de artifício, mas ouvimo-los mais de perto e as pessoas reagiram com pânico", disse Petra, uma brasileira que estava na zona quando o ataque começou.

Outra testemunha, o rabino Schlomo Hofmeister, disse à agência de notícias EFE que ouviu "100 tiros" nos primeiros momentos do ataque.

"Pelo menos um atacante atirou em pessoas que estavam sentadas à frente de bares e restaurantes. As pessoas correram em pânico para dentro, mas o atacante seguiu-as e atirou lá dentro também", descreveu.

Centenas de pessoas refugiaram-se em bares e restaurantes, muito lotados porque hoje começa um novo confinamento para prevenir a propagação da covid-19.

Ronald Zak/ AP

Na Ópera de Viena, ou em salas de concerto como o Konzerthaus ou o Musikverein, muito perto da cena, milhares de pessoas permaneceram no interior durante horas, até saírem sob escolta policial.

Numa troca de tiros com a polícia, um dos autores do ataque foi morto, enquanto um agente ficou gravemente ferido.

As autoridades montaram um enorme dispositivo de segurança para localizar pelo menos um terrorista que fugiu, com dezenas de agentes das forças especiais e especializadas em ações antiterroristas a participarem nos esforços de busca, que também inclui o controlo das fronteiras.

O Governo austríaco alertou que a situação de perigo ainda não passou, e pediu aos cidadãos para não saírem de casa, a não ser que seja estritamente necessário.

O último ataque em Viena ocorreu em 1985, quando o grupo palestiniano Abu Nidal matou três pessoas e feriu 39 no aeroporto da cidade.