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Detidos dois cidadãos suíços por suspeita ligação ao ataque em Viena

Ronald Zak

Autoridades estão a tentar determinar se existem outros atacantes que possam estar em fuga.

Dois homens suíços, de 18 e 24 anos, foram detidos esta terça-feira em Winterthur, perto de Zurique, no norte da Suíça, em conexão com o ataque 'jihadista' em Viena na segunda-feira, disse a polícia.

"As investigações policiais identificaram dois cidadãos suíços com idades entre os 18 e 24 anos. Os dois homens foram presos em Winterthur na tarde de terça-feira em coordenação com as autoridades austríacas", informou a polícia cantonal de Zurique, em comunicado de imprensa.

A possível ligação "entre as duas pessoas detidas e o suposto autor dos atentados está atualmente a ser alvo de investigações e inquéritos por parte das autoridades competentes", pode ler-se no documento.

Ainda esta terça-feira, o ministro do Interior da Áustria, Karl Nehammer, disse que "não há indícios de um segundo agressor", depois de o autor do ataque que provocou quatro vítimas mortais no centro de Viena ter sido abatido na noite passada.

"Depois de avaliar os vídeos que nos fizeram chegar, não há indícios da existência de um segundo agressor", afirmou Nehammer, embora não tenha descartado completamente a possibilidade.

As autoridades ainda estão a tentar determinar se outros atacantes podem estar em fuga, tendo sido pedido aos moradores de Viena que se mantenham em casa durante esta terça-feira, incluindo crianças em idade escolar.

Atentado faz cinco mortos, incluindo o agressor

Pelo menos cinco pessoas, incluindo o agressor, morreram na segunda-feira à noite num tiroteio no centro de Viena, cometido por "um simpatizante" do Estado Islâmico, que deixou também 22 pessoas feridas.

A polícia deteve, nas últimas horas, 14 pessoas relacionadas com o agressor.

O agressor, identificado como Kujtim Fejzulai, já tinha cadastro, já que foi condenado a 22 meses de prisão, em abril de 2019, por ter viajado para a Síria para se juntar ao grupo Estado Islâmico. No entanto, acabou por ser libertado antecipadamente em dezembro, beneficiado pela lei de proteção de jovens.

O tiroteio começou pouco depois das 20:00 (19:00 em Lisboa) de segunda-feira, perto da sinagoga principal de Viena, numa altura em que muita gente estava na rua para desfrutar a última noite de restaurantes e bares abertos antes de um confinamento de um mês para combater os contágios de covid-19, que teve início à meia-noite.

Depois do ataque inicial - o primeiro em Viena em 35 anos -, na rua onde fica a sinagoga, os agressores deslocaram-se pelo centro da cidade, disparando sobre quem ocupava as esplanadas.

Este ataque surgiu dias depois de, na passada quinta-feira, três pessoas terem morrido num ataque com faca em Nice, no sudeste de França.

Nesse ataque, também classificado como terrorista, um homem e uma mulher foram mortos na basílica de Nossa Senhora da Assunção, em Nice, e uma terceira vítima, gravemente ferida, morreu num bar perto da igreja, onde se tinha refugiado.

Nos últimos dias têm-se multiplicado reações do mundo muçulmano contra a França e o seu Presidente, depois de Emmanuel Macron ter declarado que continuaria a defender a liberdade de expressão, incluindo a publicação de caricaturas, durante uma homenagem nacional a um professor, decapitado na região parisiense por ter mostrado caricaturas de Maomé numa aula sobre liberdade de expressão.

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