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Mais três suspeitos de envolvimento na morte de professor francês ouvidos em tribunal

Lewis Joly

Estão detidas sete pessoas por ligações ao homicídio.

Mais três pessoas foram ouvidas em tribunal pela morte do professor em França, decapitado perto do colégio onde dava aulas na periferia de Paris.

Segundo a televisão francesa BFM, tratam-se de três detidos na última terça-feira e juntam-se às sete pessoas já ouvidas pela justiça francesa por ligações ao ataque, incluindo o pai de uma aluna que apelou à mobilização nas redes sociais contra o professor que mostrou as caricaturas de Maomé durante as aulas sobre liberdade de expressão.

Alunos que provocaram distúrbios na homenagem ao professor vão ser levados à justiça

A homenagem realizada na segunda-feira nas escolas francesas ao professor Samuel Paty, assassinado por um jihadista em 16 de outubro, provocou cerca de 400 incidentes com estudantes, alguns dos quais terão de responder à justiça.

O ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, revelou estes números numa entrevista à estação RTL e insistiu que todas as "violações" ao minuto de silêncio em homenagem ao professor serão acompanhadas com possíveis sanções disciplinares ou mesmo processos judiciais.

"Dissemos que o minuto de silêncio deveria ser observado em todos os lugares e que nenhuma violação seria aceite", lembrou Blanquer para justificar agora as ações contra os alunos responsáveis por esses "distúrbios".

"Cerca de uma dúzia", referiu, vai responder a processos judiciais, pois "houve coisas particularmente sérias", como apologia ao terrorismo.

Samuel Paty foi decapitado ao deixar a escola onde lecionava por um jovem russo-checheno de 19 anos, refugiado em França, que soube da campanha lançada nas redes sociais contra o professor por ter mostrado aos seus alunos a polémica caricatura de Maomé numa aula dedicada à liberdade de expressão.

A partir deste ataque, o Governo francês decidiu reforçar o ensino do laicismo nas escolas com novos métodos pedagógicos a partir deste ano e mudanças mais profundas a partir do próximo.