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Governo francês diz que Macron foi mal interpretado sobre as caricaturas de Maomé

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As tensões surgiram depois de Emmanuel Macron ter defendido as caricaturas do profeta Maomé e ter referido que o Islão está em crise no mundo.

O chefe da diplomacia francesa afirmou este domingo que a campanha de boicote por países muçulmanos baseia-se numa "deturpação" das palavras do presidente francês, Emmanuel Macron, quando este justificou o uso das caricaturas do profeta Maomé.

"Abordámos a campanha contra a França lançada na região, que começou com uma má interpretação e deturpação das palavras do presidente" francês, Emmanuel Macron, afirmou o chefe da diplomacia francesa, Jean-Yves Le Drian, numa conferência de imprensa realiza em conjunto com o seu homólogo egípcio, Sameh Shukri, no Cairo, capital do Egipto.

O ministro dos negócios estrangeiros francês afirmou que os franceses lutam "contra o terrorismo", assim como contra o extremismo, já que "os muçulmanos em França fazem parte da sua história e da identidade da república francesa".

Jean-Yves Le Drian frisou que tem um "respeito profundo pelo Islão", mensagem que levará ao imã Ahmed al Tayeb, sheik de Al Azhar, instituição sunita de referência no Medio Oriente, com quem se vai reunir antes de partir para Marrocos.

Na conferência de imprensa, Sameh Shuri não fez qualquer menção à polémica por causa das caricaturas de Maomé e da campanha de boicote iniciada por alguns países muçulmanos.

As tensões surgiram depois de Emmanuel Macron ter defendido as caricaturas do profeta Maomé e ter referido que o Islão está em crise no mundo, anunciando medidas para defender o secularismo.

A 16 de outubro, um professor francês, Samuel Paty, foi degolado nos arredores de Paris por um jovem russo-checheno por ter mostrado caricaturas do profeta Maomé numa aula sobre liberdade de expressão.

Numa cerimónia de homenagem ao professor assassinado, o presidente francês afirmou, uns dias mais tarde, que a França "não irá renunciar às caricaturas", o que levou a uma campanha de boicote a produtos franceses em vários países de maioria muçulmana.

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