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Filho de Bolsonaro terá usado dinheiro não declarado durante campanha eleitoral

Adriano Machado

O filho mais velho do Presidente do Brasil nega todas as acusações.

O senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, terá usado dinheiro não declarado à Justiça para pagar a colaboradoras que trabalharam na sua última campanha eleitoral, noticiou esta segunda-feira o portal UOL.

Segundo a mesma fonte, Fabrício Queiroz, um antigo assessor pessoal de Flávio Bolsonaro, usou dinheiro de caixa 2 (não declarado à Justiça eleitoral) para pagar a quatro promotoras eleitorais que divulgaram a campanha do filho do Presidente brasileiro ao Senado (câmara alta do Congresso brasileiro), em 2018.

Os pagamentos constam da quebra de sigilo bancário de Queiroz, determinada pela Justiça do Rio de Janeiro no âmbito da investigação de um esquema de peculato (desvio de dinheiro público) que terá ocorrido no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Quatro mulheres afirmaram publicamente que trabalharam para a campanha de Flávio Bolsonaro, através de entrevistas gravadas, fotos com o candidato, textos e vídeos publicados nas redes sociais, mas a contratação delas não foi oficialmente informada pela campanha nem apareceu nos justificativos sobre as despesas da campanha enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos advogados do filho do Presidente brasileiro.

O UOL identificou 15 transferências bancárias da conta de Queiroz para essas pessoas, no total de 12 mil reais (1,9 mil euros), entre 3 de setembro e 8 de outubro de 2018, período que engloba a primeira volta das eleições.

Já o senador Flávio Bolsonaro afirmou que desconhece pagamentos feitos fora da determinação legal e diz que todas as despesas da sua campanha foram registadas na justiça.

Este é mais um capítulo das investigações envolvendo o filho mais velho do chefe de Estado do Brasil, que já foi formalmente acusado de corrupção.

Na semana passada, o Ministério Público (MP) do Rio de Janeiro confirmou que denunciou Flávio Bolsonaro e mais 15 ex-assessores dele à justiça que eram investigados pelos crimes de organização criminosa, desvio de fundos, lavagem de dinheiro e apropriação indevida, entre 2007 e 2018.

Este inquérito começou após um relatório do antigo Conselho de Controlo de Atividades Financeiras (Coaf), órgão de controlo financeiro atualmente ligado ao Banco Central do país, detetar movimentações financeiras suspeitas nas contas bancárias de Queiroz, no final de 2018.

As movimentações de dinheiro acima dos rendimentos do ex-assessor chamaram a atenção também porque aconteciam através de depósitos e saques em dinheiro vivo em datas próximas do pagamento dos funcionários da Alerj.

O alegado esquema criminoso também contava, segundo o Ministério Público, com operações de branqueado do dinheiro arrecadado no gabinete de Flávio Bolsonaro através de uma loja de chocolates e em contratos de compra e venda de imóveis.

O filho do Presidente brasileiro nega todas as acusações.

Hoje, os 'media' também informaram que os advogados de Flávio Bolsonaro formalizaram uma denúncia contra William Bonner e Renata Vasconcelos, apresentadores do telejornal de maior audiência do Brasil, o Jornal Nacional, por veicularem informações sobre as investigações da denuncia do Ministério Público contra o senador e antigos funcionários do seu gabinete.

Os advogados alegam que a TV Globo, que exibe o Jornal Nacional, desrespeitou uma ordem judicial ao divulgar notícias sobre o caso.