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Deputados alemães pedem libertação da advogada iraniana Nasrin Sotoudeh

A advogada iraniana Nasrin Sotoudeh.

Arash Ashourinia

Foi condenada em março de 2019 a 33 anos de prisão por 148 acusações, entre elas, por "conspirar contra a segurança nacional".

Um grupo de deputados alemães juntou-se esta quinta-feira aos apelos internacionais de "libertação permanente e incondicional" da ativista dos direitos humanos e advogada iraniana Nasrin Sotoudeh, condenada a 33 anos de prisão em 2018, libertada provisoriamente no dia 7 deste mês.

Numa carta aberta, acompanhada por uma mensagem de vídeo no quadro da campanha #StandUp4Nasrin, os 37 parlamentares alemães, entre eles a vice-Presidente do Parlamento, de várias forças políticas, pedem também às autoridades iranianas que deixem cair todas as acusações contra a também laureada, este ano, com o prémio da Fundação Right Livelyhood.

Detida e condenada por 148 acusações

A advogada iraniana, que recebeu também em 2012 o prémio Sakharov para a Liberdade de Consciência do Parlamento Europeu (PE), foi detida em junho de 2018 e condenada em março de 2019 a 33 anos de prisão por 148 acusações, entre elas, por "conspirar contra a segurança nacional".

Segundo a carta aberta, a libertação, provisória, de Sotoudeh deve-se à deterioração do seu estado de saúde, que se agravou nos últimos meses, pelo que os deputados alemães exigem também que lhe seja prestada toda a assistência médica necessária.

Os parlamentares do Bundestag (Parlamento) exigem, por fim, que as autoridades iranianas garantam que todos os defensores e ativistas dos direitos humanos possam exercer a sua atividade no país sem receio de represálias.

"Expressamos a nossa total solidariedade com Sotoudeh e continuaremos ao lado dela e de todos os outros defensores e ativistas dos direitos humanos na luta pelo respeito das liberdades fundamentais de todos os iranianos", lê-se na carta aberta.

No vídeo também divulgado, o grupo de deputados alemães apela ao apoio internacional a Sotoudeh, pedindo que se assine a petição "Stand up for Nasrin", campanha lançada pela Fundação Right Livelyhood.

"Libertada" após greve de fome

O marido da advogada iraniana, Reza Jandan, confirmou a 7 deste mês na rede social Twitter que a mulher saiu da prisão com uma autorização da penitenciária.

A libertação ocorreu depois de aumentar a preocupação em relação ao estado de saúde de Sotoudeh, que se deteriorou após a greve de fome que a advogada protagonizou entre agosto e setembro deste ano, durante seis semanas, para exigir a libertação de todos os presos políticos no Irão e melhores condições na prisão.

Representante legal de vários membros da oposição ao Governo iraniano, incluindo mulheres acusadas de não usarem o véu, Sotoudeh, antes de ser presa, continuou a defender a abolição da pena de morte no Irão.

Como advogada, defendeu várias personalidades como o prémio Nobel da Paz de 2003, a também iraniana Sirin Ebadi, e vários opositores detidos durante os protestos reformistas do Movimento Verde, em 2009.

A detenção e condenação da ativista despertou fortes críticas em todo o mundo, com a Amnistia Internacional (AI) a exigir a libertação "imediata e sem condições" da advogada e a denunciar que Sotoueh foi presa "pelo trabalho pacífico na defensa dos direitos humanos".

Nos últimos meses, o Irão tem concedido autorizações penitenciárias a mais de 100.000 detidos, entre eles alguns presos políticos, para evitar a propagação da pandemia de covid-19 nas prisões.

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