Mundo

Massacre na Etiópia. Amnistia Internacional fala em dezenas de mortos

Tiksa Negeri

O ataque à parte sudoeste da região de Tigray aconteceu na noite de 9 de novembro.

A organização não-governamental (ONG) dos direitos humanos Amnistia Internacional disse esta quinta-feira que houve dezenas de mortos no "massacre" testemunhado por forças leais ao partido no poder na região etíope de Tigray, onde está em curso uma operação militar.

"A Amnistia Internacional pode confirmar hoje [quinta-feira] que dezenas, provavelmente centenas, de pessoas foram esfaqueadas ou mortas com machados na cidade de Mai-Kadra (May Cadera) na parte sudoeste da região de Tigray, na Etiópia, na noite de 9 de novembro", afirmou a ONG em comunicado.

Este é o primeiro número reportado de mortes de civis desde o conflito entre o Governo do primeiro-ministro Abiy Ahmed e a Frente Popular de Libertação do Tigray (TPLF), o partido no poder na região separatista do norte, iniciado em 04 de novembro.

Segundo o comunicado, a organização de defesa dos direitos humanos "examinou fotografias e vídeos horríveis, que mostram corpos espalhados pela cidade ou transportados em macas".

"Confirmamos o massacre de um grande número de civis", que parecem não ter estado de forma alguma "envolvidos na ofensiva militar em curso", disse Deprose Muchena, diretora da organização para a África Oriental e Austral.

A responsável adiantou que o massacre "foi uma tragédia terrível cuja verdadeira extensão só o tempo dirá, já que as comunicações em Tigray continuam desligadas".

Na nota, a ONG adianta que também falou com testemunhas, que forneciam alimentos para as Forças de Defesa da Etiópia, que visitaram a cidade imediatamente após o ataque.

A Amnistia Internacional admitiu, porém, que não conseguiu confirmar quem foram os responsáveis pelos homicídios, mas falou com testemunhas que garantiram que forças leais à TPLF estavam por detrás deste "assassinato em massa".

Esta quinta-feira, o primeiro ministro Abiy, vencedor do Prémio Nobel da Paz de 2019, disse que o Exército federal tinha "libertado" a zona do Tigray Ocidental, uma das seis zonas administrativas da região, para além da "capital" regional Mekele, a leste.

Quase 11.000 etíopes atravessaram a fronteira para o Sudão para fugir aos combates, de acordo com a agência sudanesa de refugiados.

Abiy Ahmed garantiu querer restabelecer "instituições legítimas" em Tigray, cujos líderes têm desafiado o Governo federal há vários meses, para que seja organizada uma eleição considerada "ilegítima" por Addis Abeba.

O primeiro-ministro lançou a operação militar após acusar as forças da TPLF de terem efetuado um ataque a duas bases militares etíopes, o que o partido nega.