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Internautas do Senegal num luto virtual em homenagem aos migrantes que morreram no mar

Santi Palacios

O governo reconheceu um aumento das partidas de barcos migrantes e anunciou um reforço dos controlos no mar.

Utilizadores de Internet no Senegal realizaram esta sexta-feira um luto virtual em homenagem aos migrantes ilegais que morreram no mar a caminho da Europa e em reação ao silêncio do Estado, de acordo com os promotores da iniciativa.

Nova vaga de partidas

Um grande número de senegaleses morreu nas últimas semanas enquanto tentavam chegar em pirogas às Ilhas Canárias, territórios espanhóis utilizados como porta de entrada para a Europa, naquela que está a ser uma nova vaga de partidas da costa da África Ocidental.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) relatou 140 mortes num único naufrágio ao largo da costa do Senegal, no final de outubro, um número contestado pelo governo senegalês.

O destino que tiveram estes senegaleses provocou uma contestação na opinião pública e nas redes sociais.

"Nós, jovens senegaleses, decidimos organizar um dia de luto e oração esta sexta-feira pelas vítimas da imigração ilegal", lê-se num vídeo transmitido sob a hashtag #LeSenegalEnDeuil, que acrescenta: "vamos observar um minuto de silêncio digital entre 20H00 e as 20H10 (local e GMT), durante o qual nem uma única mensagem será transmitida em todas as redes sociais em homenagem às vítimas".

Os senegaleses são convidados também a colocarem uma fotografia deles próprios nas redes sociais vestidos de preto ou branco com a hashtag #LeSenegalEnDeuil.

"O silêncio do Estado senegalês perturbou-nos. Iniciámos esta ação para prestar homenagem às vítimas que merecem a nossa atenção. Estamos a falar de mais de 500 mortos", disse à agência de notícias francesa AFP Pape Demba Dione, um promotor imobiliário de 28 anos e um dos organizadores da iniciativa do luto virtual.

As redes sociais Twitter, Instagram e Facebook serão, segundo Pape Demba Dione, utilizadas para transmitir mensagens e vídeos relacionados com a tragédia de muitas famílias que perderam entes queridos nas últimas semanas.

O governo reconheceu um aumento das partidas de barcos migrantes e anunciou um reforço dos controlos no mar.

Mais de 1.500 migrantes foram intercetados na costa senegalesa nos últimos dias, incluindo 29 mensageiros, disse a polícia num comunicado emitido na quarta-feira.

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