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Menino levado para a Síria e forçado a ameaçar Trump diz que é um "alívio" estar de volta a casa

Matthew tinha 10 anos quando foi filmado a declarar guerra ao Presidente dos Estados Unidos.

Um rapaz norte-americano foi levado pela mãe e pelo padrasto para Raqa, na Síria, quando tinha apenas oito anos. É preciso recuar a 2015, quando Matthew chega a Raqa.

“Quando estivemos pela primeira vez na cidade, havia muito barulho. Normalmente eram barulhos de tiros e de vez em quando uma explosão ao longe”, contou à BBC.

Já na Síria, o padrasto do menino, Moussa Elhassani, tornou-se num atirador do grupo extremista Daesh.

Em 2017, a mãe de Matthew, Samantha Sally, escreveu um e-mail para a irmã, que estava nos Estados Unidos, a pedir ajuda financeira. Dizia que precisava do dinheiro para fugir e mostrava-se desesperada. Ao e-mail, anexou um vídeo em que Matthew aparece a montar um cinto de explosivos.

Noutro vídeo, o menino é visto a desmontar uma kalashnikova carregada de balas. Era Moussa Elhassani quem obrigava Matthew a fazer os vídeos.

Em agosto de 2017, Moussa Elhassani forçou o menino, agora com 10 anos, a gravar uma mensagem a ameaçar os Estados Unidos.

“A minha mensagem para Trump, o fantoche dos judeus: Alá promoteu-nos a vitória e a ti a derrota. Esta batalha não vai acabar em Raqa ou em Mossul. Vai acabar nas tuas terras, então prepara-te, a luta ainda agora começou”, disse Matthew.

À BBC, o rapaz disse que não teve outra opção senão fazer o que lhe foi exigido. Conta que o padrasto tinha explosões de raiva e começava a perder o controle.

Moussa Elhassani acabou por morrer nesse ano num suposto ataque de drone.

Depois disso, Samantha Sally conseguiu ajuda para abandonar a zona controlado pelo Daesh e entrar no território dos curdos com os filhos. Quando lá chegaram, ficaram detidos num campo de concentração.

Samantha Sally disse à BBC que tinha sido enganada pelo marido, mas mais tarde foi provado que sabia o que Moussa Elhassani estava a planear quando saíram dos EUA para a Síria.

Matthew voltou para casa em 2018 após ser resgatado pelos militares dos EUA

Matthew, hoje com 13 anos, vive desde 2018 com o pai. Diz que enquanto esteve na Síria não tinha noção do que estava a fazer, não percebia nada. Hoje diz que está feliz por finalmente estar em casa.

“É como passar o dia com roupas, meias ou sapatos apertados e depois tirá-los e sentir-me relaxado. Foi isso que senti. Foi como um alívio. Foi bom”.